Comunidades tradicionais lançam aliança em defesa da Mata Atlântica em São Paulo

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Nesta quarta-feira, 27 de maio, o Dia da Mata Atlântica foi celebrado com o lançamento oficial da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O evento, realizado no Largo São Francisco, em São Paulo, reuniu representantes de territórios ancestrais e marcou a primeira articulação entre sete fóruns regionais e a Comissão Guarani Yvyrupa.

Mobilização de comunidades tradicionais

Entre os participantes, destacou-se Ivanildes Kerexu, liderança da Aldeia Rio Bonito, em Ubatuba. Ela enfatizou a importância da aliança para unir forças contra ameaças como a especulação imobiliária. Ivanildes mencionou o crescimento populacional em áreas antes desabitadas, que agora enfrentam a pressão de empreendimentos que prejudicam a comunidade.

“Inclusive, tem uma aldeia, uma aldeia da Boa Vista, que 15 anos atrás quase não tinha moradores. E hoje, se a gente passar lá, é tanto morador que vai até quase na entrada da aldeia. Então, é essa especulação imobiliária, pessoas que fazem as suas casas de veraneio. Isso também prejudica, infelizmente.”

Desafios do turismo exploratório

Wellington Quilombola, presidente da Associação do Quilombo Porto da Areia, em Sergipe, também participou do evento. Ele criticou o modelo de turismo que chega às comunidades, que muitas vezes não beneficia a população local e contribui para a destruição do meio ambiente.

“Nós precisamos do turismo e defendemos o turismo, mas tem que ser um turismo que seja bom para todos. Com os resorts, a gente fica pensando: o que é que querem com esses resorts na nossa comunidade?”

Importância da aliança para a defesa dos direitos

A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara participou do evento e ressaltou a relevância da aliança como um espaço para denunciar os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais. Ela abordou as consequências do desmatamento e da exploração mineral, destacando a necessidade de uma transição energética justa.

“Se as terras raras são exploradas da mesma forma, sem considerar direitos, as consequências não serão diferentes do que é a exploração do petróleo para os nossos povos.”

A Mata Atlântica em números

A Mata Atlântica, que cobria 15% do território brasileiro no início da colonização, atualmente representa pouco mais de 12% da vegetação original. Este bioma abriga cerca de 20 mil espécies de plantas e mais de duas mil espécies de animais, tornando-se um ecossistema vital para a biodiversidade do Brasil.

*Com colaboração de Elaine Patrícia Cruz

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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