Desafios do agronegócio brasileiro: geopolítica e planejamento em foco

CNN Brasil/Reprodução

Segundo Maugeri, o atual cenário geopolítico tem ampliado as incertezas para empresas que precisam tomar decisões de longo prazo. “Infelizmente, a nossa dependência de insumos externos ainda é muito alta. Isso dificulta planos de expansão, investimentos e novos projetos. São decisões de médio e longo prazo que ficam mais instáveis neste momento”, afirmou à CNN Agro.

Ela destaca que, apesar de o setor florestal brasileiro estar capitalizado e com potencial de crescimento, ele enfrenta inseguranças jurídicas, econômicas e geopolíticas. “É como um motor potente que poderia entregar resultados ainda maiores se houvesse mais previsibilidade”, comparou.

O papel do Brasil no mercado global de produtos florestais

O Brasil se destaca como um dos maiores exportadores mundiais de produtos florestais, especialmente em celulose. Este segmento atende a uma variedade de mercados internacionais e desempenha um papel crucial na balança comercial do país.

Entretanto, Maugeri alerta que gargalos na oferta de insumos, custos elevados e dificuldades logísticas comprometem a competitividade do setor. “Mesmo quando há recursos disponíveis para investir, muitas vezes os insumos não chegam no momento necessário, o que acaba represando a produção”, disse.

Agro como questão de segurança nacional

Maugeri enfatiza que o momento político que antecede as próximas eleições deve ser aproveitado para ampliar o debate sobre políticas estruturantes para o agronegócio. Ela defende que o setor deve ser tratado como uma questão estratégica de Estado, e não apenas como uma pauta de governos específicos.

“O agro precisa ser visto como um assunto de segurança nacional. Estamos falando de segurança alimentar e também de segurança energética”, afirmou. Para ela, iniciativas isoladas não são suficientes para resolver os desafios enfrentados pelas cadeias produtivas, citando como exemplo o Programa Nacional de Fertilizantes.

“Não adianta aumentar a produção de fertilizantes se a infraestrutura continua deficitária e impede o escoamento da produção. Também não adianta ampliar a oferta se faltam trabalhadores qualificados. Falta um olhar integrado”, argumentou.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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