O Ministério dos Transportes iniciou uma nova estratégia para impulsionar projetos de concessões de ferrovias à iniciativa privada, buscando investidores em meio a um cronograma atrasado. A iniciativa ocorre na reta final do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
ferrovias: cenário e impactos
Com novos mecanismos de financiamento e atrativos para potenciais investidores, a pasta, liderada por George Santoro, tenta retomar o planejamento do setor ferroviário, que sofreu atrasos significativos. A meta inicial era leiloar oito ferrovias em 2026, mas até o momento, nenhum edital foi publicado, e alguns leilões podem ser adiados para 2027.
O ministério atribui o atraso à necessidade de ajustes em estudos técnicos, avaliações e elaboração de minutas de editais pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), além da tramitação dos projetos no TCU (Tribunal de Contas da União).
Apesar dos contratempos, a expectativa é realizar pelo menos quatro leilões no segundo semestre, focando em projetos que já estão mais avançados e aguardam apenas a análise de viabilidade técnica, econômica e socioambiental do TCU. Entre os projetos prontos para análise estão o Corredor Minas-Rio, o Anel Ferroviário Sudeste, a Ferrovia Malha Oeste e a Ferrogrão.
Além disso, dois projetos estão em fase de audiência pública (Corredor Leste-Oeste e Malha Sul), enquanto outros dois ainda estão em etapas de estudos técnicos (Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul e Ferrovia de passageiros Luziânia-Brasília).
Busca por investidores internacionais
Enquanto espera o avanço dos projetos, o ministério intensifica esforços para atrair investidores nacionais e internacionais. Recentemente, uma comitiva brasileira visitou a China, apresentando ao mercado local a carteira de projetos e os novos instrumentos de financiamento para o setor ferroviário.
O grupo, composto por representantes do Ministério dos Transportes, ANTT, BNDES, B3 e Infra S.A, se reuniu com mais de dez instituições e empresas chinesas de infraestrutura e logística. Além da China, o governo planeja um roadshow em Londres para expandir sua busca por investidores.
Expansão da malha ferroviária
A carteira de projetos divulgada pelo governo abrange novas linhas, expansão de malhas existentes e conexões com hidrovias e rodovias. O objetivo é transformar a malha ferroviária brasileira em uma plataforma logística nacional integrada, facilitando a conexão entre produção, consumo e exportação, e reduzindo o chamado Custo Brasil.
Atrações de financiamento
Na esfera nacional, o Ministério dos Transportes organizou um encontro com potenciais investidores na B3, onde o ministro George Santoro apresentou as projeções de demanda para o transporte de cargas nas próximas décadas. O governo estima injeções de R$ 600 bilhões no sistema ferroviário e R$ 160 bilhões em investimentos na malha brasileira.
Para atrair operadores, o ministério propõe novos mecanismos de financiamento, incluindo uma nova linha de crédito do BNDES com prazo de até 40 anos, específica para ferrovias. Outra proposta envolve contas vinculadas, que aguardam autorização do TCU, permitindo reciclagem de capital a partir de verbas de renegociações de contratos e indenizações.
O governo também planeja usar o FDIRS (Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável) para assegurar os aportes necessários, ajudando as empresas a cobrir o Gap de Viabilidade, um desafio financeiro que historicamente tem dificultado o avanço de novas ferrovias no Brasil.
Projetos ferroviários, especialmente os greenfields, enfrentam um fluxo de caixa negativo inicial devido ao longo período de construção sem receita. Ao contrário das rodovias, onde se cobra pedágio rapidamente, as ferrovias podem levar anos para gerar receita, criando um “buraco” financeiro que torna a viabilidade do projeto difícil para investidores privados.
Fonte: poder360.com.br