Em um discurso à nação, Paz, que adota uma postura centrista, afirmou que os bloqueios não eram meros protestos sociais, mas uma tentativa organizada de desestabilizar a democracia boliviana. Ele enfatizou que a ausência de ação poderia ser considerada irresponsável e prometeu que a medida garantiria a segurança dos cidadãos e o fluxo de bens essenciais. O presidente alertou que aqueles que continuassem a obstruir as vias enfrentariam consequências legais.
Grupos de manifestantes, muitos deles aliados do ex-presidente Evo Morales, bloquearam estradas importantes, causando a retenção de caminhões e interrompendo o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, especialmente em La Paz e na cidade vizinha de El Alto. No sábado, uma operação policial foi iniciada para liberar as vias, com veículos e tratores sendo utilizados para remover os obstáculos.
“Sofremos muito e queremos que tudo isso seja resolvido”, disse Elvira de Mamani, uma residente de 65 anos, enquanto observava a remoção dos detritos. Em outro bloqueio, caminhoneiros exigiam gasolina, evidenciando a urgência da situação.
O estado de emergência, apoiado tanto por aliados do governo quanto por opositores, foi viabilizado após o Congresso revogar uma lei que limitava o uso de decretos de emergência. “Após 50 dias de bloqueio, isso era necessário”, comentou Lissa Claros, deputada da oposição. A expectativa é que a medida traga ordem e paz ao país.
Apesar do apoio ao estado de emergência, alguns deputados da oposição alertaram que a medida poderia intensificar as tensões. Analistas jurídicos também expressaram preocupações sobre os poderes de emergência, que poderiam agravar a agitação se não contassem com apoio popular.
Paz defendeu a ação como uma forma de restaurar a liberdade ao povo, afirmando que não se tratava de restringir a vida dos cidadãos, mas de acabar com os bloqueios que prejudicam a população.
O Ministério da Defesa esclareceu que não há toque de recolher, mas que o governo está considerando “medidas extraordinárias” para áreas sensíveis, que podem incluir restrições temporárias à circulação. O Ministério de Mineração informou que as minas do país estão operando normalmente.
O presidente anunciou a declaração de emergência horas após um acordo com o principal sindicato do país, a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB), que visava reduzir as tensões. Entretanto, muitas estradas permanecem sob controle de associações rurais que não participaram das negociações e continuam a protestar, especialmente em Cochabamba.
Embora a ordem de emergência tenha sido emitida, o presidente deve notificar o Congresso dentro de 24 horas, que terá até 72 horas para aprovar ou rejeitar a medida.
Fonte: infomoney.com.br
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