Aumento expressivo nas compras de Tesouro IPCA+ em meio a juros elevados

Tesouro Nacional)

Entre 4 de maio e 18 de junho, a taxa do IPCA+ 2032 variou de 7,74% a 8,63% ao ano. O título ultrapassou a marca de 8% na primeira semana de junho, alcançando 8,63% na última quinta-feira. A cada nova alta, o volume de compras tende a acompanhar essa tendência.

O dia de maior procura foi 11 de junho, quando os investidores adquiriram R$ 275 milhões em um único pregão, equivalente a 95.406 títulos. Naquele momento, o papel operava a 8,40% ao ano, um pouco abaixo do nível mais alto registrado, mas ainda assim, o auge das compras ocorreu logo após a superação da barreira dos 8%.

Na semana de 15 a 18 de junho, apesar das taxas ainda mais altas, o ritmo diário de compras caiu cerca de um terço em relação à semana anterior. No entanto, o volume médio diário permaneceu em R$ 157,5 milhões, o que representa 2,6 vezes a média de maio.

(Fonte: Tesouro Nacional)

Além do aumento em volume absoluto, o IPCA+ 2032 passou a representar uma fatia crescente das vendas totais do Tesouro Direto. No dia 1º de junho, o título correspondia a 33,5% das vendas totais, e em 18 de junho essa participação subiu para 53,5%, indicando que mais da metade de cada real investido no Tesouro Direto naquele dia foi direcionado a esse papel.

O Tesouro Prefixado 2029 também se destacou, com uma venda média diária que subiu de R$ 32,4 milhões em maio para R$ 67,1 milhões em junho, atingindo um pico de R$ 91,5 milhões por dia na semana de 8 de junho.

Os títulos de prazo mais longo e os papéis com pagamento de juros semestrais apresentaram uma reação mais discreta. O IPCA+ 2040, o IPCA+ 2050 e os vencimentos com juros semestrais tiveram volumes menores ou sem crescimento relevante, com alguns recuando na semana de 15 de junho. A demanda se concentrou no IPCA+ 2032 e no Prefixado 2029, sem alongar o prazo, mesmo com as taxas longas em alta.

O que explica a alta e o que investidor deve fazer

As taxas aceleraram após o mercado se preparar para inflação mais alta nos Estados Unidos e no Brasil. Na Super Quarta, os ativos foram pressionados após declarações do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, e o Banco Central cortou a Selic para 14,25%. Apesar da redução da taxa básica, os juros dos prefixados subiram, e as compras do IPCA+ 2032 continuaram acima de R$ 150 milhões por dia.

A recomendação predominante entre especialistas é não perder a oportunidade de um juro real de 8%, nível que se apresentou raramente na história, mas sem investir todo o capital nos vencimentos mais curtos. A maioria prefere prazos intermediários, entre 2031 e 2035, que oferecem quase o mesmo prêmio com menos riscos.

Para quem está comprando agora, o conselho é manter o título até o vencimento, pois vender antes pode resultar em prejuízo se as taxas subirem mais. Um eventual recuo das taxas, que valorizaria o papel, é considerado um bônus, e não a razão principal da compra. Para os prefixados, a orientação é de cautela, devido ao risco de travar uma taxa fixa e ver os juros subirem ainda mais.

Fonte: infomoney.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE