Saúde privada impulsiona 20% dos empregos no Brasil, mas desigualdade salarial persiste

Foto: Freepik

A saúde privada já se consolidou como um dos principais motores da criação de empregos formais no Brasil. Em abril deste ano, o setor respondeu por 1 em cada 5 empregos no país, correspondendo a aproximadamente 21,4% de todas as vagas com carteira assinada. Esses dados são parte da primeira edição do Monitor de Emprego na Saúde Privada (MESP), divulgado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Dos 85,8 mil postos formais gerados pela economia brasileira no mês, 18,3 mil vieram da cadeia privada de saúde.

Atualmente, a saúde suplementar emprega cerca de 4,3 milhões de trabalhadores formais no Brasil, um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números evidenciam uma tendência que se fortalece nos últimos anos. Enquanto setores mais sensíveis ao ciclo econômico desaceleram devido aos juros elevados e ao crédito restrito, a saúde continua a expandir suas contratações, impulsionada por fatores estruturais, como o envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas e a crescente demanda por serviços médicos e assistenciais.

“O mercado de trabalho da saúde possui características próprias. Trata-se de um setor intensivo em capital humano e conhecimento, no qual a demanda por profissionais acompanha transformações estruturais da sociedade”, afirma Denizar Vianna, superintendente-executivo do IESS.

Força estrutural do setor

A participação de mais de um quinto dos empregos gerados no país é notável, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados. Isso sugere que a saúde está assumindo um papel semelhante ao observado em economias mais envelhecidas, onde o setor atua como um amortecedor durante ciclos econômicos, sustentando uma parte significativa do emprego formal mesmo em períodos de baixo crescimento.

Esse movimento também reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro: a expansão do emprego está cada vez mais ligada a atividades intensivas em serviços e conhecimento, em detrimento de setores tradicionalmente associados à indústria e ao consumo.

Mulheres lideram contratações, mas enfrentam desigualdade salarial

O levantamento revela uma contradição histórica no setor. Embora as mulheres tenham representado 75,1% das contratações em abril e 82,5% do saldo líquido de vagas criadas, a remuneração média feminina permanece inferior à masculina. Das 157,8 mil admissões registradas no mês, 118,5 mil foram ocupadas por mulheres, mas o salário médio feminino ficou em R$ 2.599,20, em comparação aos R$ 3.010 pagos aos homens. A diferença salarial, embora tenha diminuído em relação ao ano passado, ainda é significativa, passando de 21,3% para 15,8%.

“A predominância feminina é uma característica histórica das atividades de saúde. Os dados mostram avanços na redução das diferenças salariais, mas também ressaltam a importância de continuar investindo na valorização e no desenvolvimento profissional das mulheres”, afirma Vianna.

Hospitais e clínicas como principais empregadores

A expansão do emprego foi puxada principalmente pelos prestadores de serviços de saúde, que incluem hospitais, clínicas, laboratórios e outros estabelecimentos assistenciais. Esses locais sozinhos responderam por 16,3 mil das 18,3 mil vagas criadas em abril, representando quase 90% dos novos empregos gerados pela saúde privada. Além disso, concentram atualmente 71,5% de todos os vínculos formais do setor.

“A geração de empregos entre os prestadores reflete diretamente a ampliação da demanda por serviços de saúde. Hospitais, clínicas e laboratórios estão na linha de frente da assistência e são os primeiros a sentir a necessidade de ampliar suas equipes”, afirma o executivo do IESS.

Desafios do setor de saúde

Embora os números reforcem a força da saúde privada, especialistas alertam que a expansão do emprego também aumenta a pressão sobre custos operacionais, qualificação profissional e incorporação tecnológica. O setor enfrenta simultaneamente o envelhecimento populacional, a maior incidência de doenças crônicas, a incorporação de novas tecnologias médicas e a necessidade crescente de equipes multidisciplinares.

Nesse contexto, a geração de empregos deixa de ser apenas um indicador de dinamismo econômico e passa a refletir a capacidade do sistema de saúde de responder a uma demanda assistencial cada vez mais complexa. A questão que surge, portanto, não é apenas quantos empregos a saúde privada continuará criando nos próximos anos, mas se haverá profissionais qualificados suficientes para sustentar esse crescimento sem aumentar ainda mais os custos de um dos setores mais essenciais na vida do brasileiro.

Fonte: infomoney.com.br

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