Diálogos de Cunha com Fialek revelam articulações em emendas parlamentares

aplicativo de mensagem e via e-mail, para comentar a declaração dada por Cunha e

As mensagens interceptadas pela Polícia Federal entre o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos) e a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, são um dos principais elementos da investigação que levou o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), a determinar o bloqueio de R$ 6,15 milhões do ex-deputado.

Segundo a PF, os diálogos indicam que Cunha atuava diretamente na definição e no remanejamento de emendas parlamentares, mesmo sem mandato desde 2016, quando foi cassado. Os investigadores afirmam que ele tratava recursos destinados principalmente a municípios de Minas Gerais como se fossem uma “cota informal” sob sua influência política.

Nas conversas, Cunha discute a autoria de emendas, solicita a substituição de municípios beneficiados, envia listas de destinação de recursos e cobra providências da servidora.

Leia alguns dos principais trechos reproduzidos na decisão do STF:

“Tou com um problema”

Em uma conversa de 12 de setembro de 2025, Cunha afirma:

“Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele, a pedido do Deputado estadual João Magalhães, senão vamos ter de trocar e não mandar para lá.”

Na sequência, pergunta à funcionária da Câmara:

“Tem publicação em nome do deputado?”

Mais adiante, insiste:

“O Gilberto pode fazer um ofício?”

“Se fizer já me resolve. Cidade pequena é uma guerra.”

Segundo a PF, as mensagens demonstram preocupação de Cunha com a atribuição política das emendas.

Troca de municípios

Dias depois, em 15 de setembro de 2025, Cunha encaminha novos destinos para recursos e determina:

“Bom dia. Trocar Manhuaçu por essas para acabar com a confusão.”

Tuca responde:

“Deixa ver.”

“Já tirei.”

Para a PF, o diálogo indica que a funcionária executava alterações conforme as orientações do ex-deputado.

“Minas é muito pulverizado”

Em outro trecho, Cunha relata dificuldades para distribuir recursos entre municípios mineiros:

“Tem um segundo problema que Matias Barbosa que era 2, só teve limite de 1349, vou precisar substituir a diferença.”

Depois orienta:

“O valor que não tem limite em Matias Barbosa e 650378,00”

“Vamos fazer 60.378,00 municípios Pedrinopolis 590.000,00 Município Varjão de Minas.”

Ao final, escreve:

“Desculpa o trabalho mas Minas é muito pulverizado.”

Planilha de R$ 5 milhões

A investigação também cita o envio de uma planilha intitulada “Minas lista 2”, com municípios mineiros e valores que totalizam R$ 5 milhões.

No dia seguinte, Cunha volta a tratar dos recursos em primeira pessoa:

“Oi, boa tarde, um município que mandei, Goiana com montante de 150.000,00, na hora de cadastrar só teve de saldo 103.939,00, em função de ter entrado outra emenda da deputada Sheila lá.”

Segundo a PF, a linguagem utilizada reforça a hipótese de que Cunha acompanhava diretamente a destinação das emendas.

“Não aguento mais esses mineiros”

A decisão de Flávio Dino também reproduz outra conversa considerada relevante pelos investigadores:

“Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar.”

Investigação

Para a Polícia Federal, as mensagens mostram que Cunha discutia a autoria de emendas, escolhia municípios beneficiários, determinava alterações na destinação dos recursos e enviava listas de distribuição de verbas, apesar de não exercer mandato parlamentar. A investigação sustenta que ele atuava como um “vetor relevante” na definição das emendas por meio da servidora Mariângela Fialek.

O QUE DIZ CUNHA

A defesa de Eduardo Cunha nega irregularidades. Afirma que o ex-deputado não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas investigadas, diz que tomou conhecimento da decisão pela imprensa e sustenta que buscará acesso aos autos para exercer o contraditório.

Eis a íntegra da nota divulgada pela defesa de Eduardo Cunha:

“A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação.

“Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário.

“Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.

“Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.

É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha.

“Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.

“A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas.

“Figueiredo e Veloso Advogados”

O QUE DIZ MARIÂNGELA FIALEK

Já no dia 12/09/2025, é possível observar uma conversa insólita entre os mencionados interlocutores. O diálogo se inicia com uma chamada perdida partindo de Eduardo Cunha para Mariângela Fialek. Logo em seguida, Cunha diz: “Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele, a pedido do Deputado estadual João Magalhães, senão vamos ter de trocar e não mandar para lá.”

Fonte: poder360.com.br

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