Recentes ataques cibernéticos têm como alvo instituições financeiras de renome, como Blackstone e KKR, utilizando ligações telefônicas para comprometer a segurança de suas operações. Dados do Google e informações de inteligência analisadas pela Reuters revelam que esses hackers, que exigem resgates, criaram sites específicos para roubar senhas de funcionários de empresas de private equity e outras organizações financeiras.
A empresa Google, em um post em seu blog, identificou que os hackers operam sob vários pseudônimos, incluindo Redact e Falcon. Embora tenha se recusado a comentar sobre os achados da Reuters, o Google informou que algumas empresas pagaram resgates aos criminosos, embora os nomes não tenham sido revelados.
Especialistas em segurança cibernética destacam que o uso de táticas de baixa tecnologia, como ligações telefônicas, demonstra a eficácia de métodos tradicionais, mesmo em um cenário repleto de soluções de segurança sofisticadas. Lee Clark, gerente de produção de inteligência contra ameaças cibernéticas, afirma que enganar o “guarda” é uma estratégia que ainda se mostra eficaz.
Foco em fundos de private equity
O Google observou que os hackers mudaram seu foco para fundos de private equity e agências de classificação de risco. Austin Larsen, analista-chefe de ameaças do Google, indicou que esses grupos visam setores que, devido ao seu valor financeiro, são mais propensos a pagar resgates para proteger dados sensíveis.
A análise de 72 sites maliciosos revelou que as armadilhas online foram criadas especificamente para cada empresa, com subdomínios projetados para enganar os funcionários. Os hackers utilizam engenharia social, fingindo ser suporte técnico e solicitando atualizações urgentes de senhas.
Táticas de engenharia social
Os hackers contatam funcionários em seus celulares, afirmando que a atualização de senhas é uma orientação do departamento de TI. Eles direcionam as vítimas a sites fraudulentos com domínios como “passkeyhelpdesk”. Se um funcionário fornecer sua senha, os hackers conseguem acessar suas contas rapidamente.
Larsen observou que essa abordagem, embora simples, é extremamente eficaz e não deve ser subestimada. A combinação de táticas de engenharia social com a exploração de vulnerabilidades humanas continua a ser uma estratégia de sucesso para os cibercriminosos.
Identidade dos hackers
A identidade dos hackers permanece desconhecida. O grupo Redact, anteriormente conhecido como Darkfiles, declarou na darknet que não possui motivação política e não está respondendo a perguntas da imprensa. Apesar dos diferentes nomes, Larsen sugere que eles podem estar interligados por uma infraestrutura comum.
As tentativas de invasão têm causado alvoroço em Wall Street, com empresas como Point72 Asset Management confirmando que foram alvo de ataques. Outras instituições financeiras, como Two Sigma Investments e Citadel, também foram mencionadas como alvos potenciais.
Alvos variados
Além das instituições financeiras, os hackers direcionaram suas ações para mais de 200 empresas, incluindo grandes nomes como Uber e Levi Strauss. A Greenberg Traurig, um escritório de advocacia, afirmou que não houve violação de dados, ressaltando as camadas de segurança implementadas.
A crescente sofisticação dos ataques e a diversidade de alvos revelam a necessidade urgente de reforçar as medidas de segurança cibernética em setores vulneráveis.
Fonte: infomoney.com.br