A influência de Wenceslau Braz e os traços do coronelismo na política brasileira

A influência de Wenceslau Braz e os traços do coronelismo na política brasileira

A reflexão sobre o coronelismo brasileiro, proposta pela professora e historiadora Adriana Campos, destaca a importância dos personagens políticos em vez das estruturas que sustentam esse fenômeno sociológico. O autor de ‘A Invenção do Coronel’ percebe que a figura do coronel ainda ressoa na política contemporânea, manifestando-se nas personalidades de líderes como Jair Bolsonaro e Lula.

Esses líderes se destacam não por seus partidos ou ideologias, mas por traços de caráter que os tornam figuras centrais em seus contextos políticos. No cenário capixaba, governadores como Paulo Hartung e Renato Casagrande também exemplificam essa tendência, onde a escolha dos eleitores se baseia mais em atributos pessoais do que em projetos coletivos.

As memórias de Wenceslau Braz, presidente do Brasil de 1914 a 1918, revelam um político que buscava a conciliação e evitava confrontos, refletindo a astúcia dos mineiros. Seu livro, Esboço de Minha Vida Política, não se concentra em disputas partidárias, mas em sua vida pública e nas relações com figuras como Rui Barbosa e Arthur Bernardes.

Embora não mencione revoltas populares ou movimentos sociais, as memórias de Braz mostram como a política da Primeira República era dominada por personalidades individuais. O Brasil que ele conheceu era agrário e concentrador de poder, administrado por oligarquias regionais e tutelado por militares.

Além de sua carreira política, Wenceslau Braz também era um empreendedor. Ele fundou a Companhia Industrial Sul-Mineira, que se tornou um marco do desenvolvimento econômico da época. Essa faceta revela como os coronéis não apenas exerciam poder político, mas também impulsionavam o progresso econômico.

Essas reflexões sobre a figura do coronel e suas heranças são essenciais para entender a política brasileira contemporânea, onde traços de personalismo e a influência de personagens históricos ainda moldam o imaginário social.

Fonte: eshoje.com.br

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