Crescimento nas vendas de imóveis atinge 5,3% no segundo trimestre, revela Cbic

Crescimento nas vendas de imóveis atinge 5,3% no segundo trimestre, revela Cbic

As vendas de imóveis novos apresentaram um crescimento de 5,3% no segundo trimestre de 2023, em comparação ao mesmo período do ano anterior, mesmo com a taxa básica de juros fixada em 14% ao ano. Os dados são de um levantamento realizado pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, divulgado nesta segunda-feira (24).

Durante o segundo trimestre, foram comercializadas 113.676 unidades residenciais em 221 cidades analisadas. No acumulado do primeiro semestre, as vendas totalizaram 226.536 unidades, refletindo uma alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da alta taxa de juros, a demanda por moradia se manteve firme, embora de forma desigual: o programa Minha Casa, Minha Vida ampliou sua participação nas vendas e lançamentos, enquanto o mercado de imóveis voltados para a classe média enfrentou dificuldades.

No segundo trimestre, os lançamentos totalizaram 107.161 unidades, representando uma queda de 1,3% em relação ao ano anterior, mas um aumento de 2,6% em comparação aos três primeiros meses de 2023. Especialistas afirmam que esse ritmo indica que as incorporadoras continuam ativas no mercado.

A região Sul registrou a maior queda nos lançamentos, com 17.353 unidades, uma redução de 25,1% em um ano e de 11,7% em relação ao primeiro trimestre. Segundo Celso Petrucci, conselheiro da Cbic, a diminuição da oferta do Minha Casa, Minha Vida expõe a região a um cenário de crédito elevado e à demanda por imóveis mais caros.

A diferença entre vendas e lançamentos contribuiu para a redução do estoque disponível, que encerrou junho com 355.290 unidades, uma queda de 2,1% em relação ao trimestre anterior. O prazo estimado para a venda de todo o estoque diminuiu de 9,9 meses no primeiro trimestre para 9,5 meses.

O levantamento, que abrangeu 221 cidades em todo o país, indica que a demanda reprimida e as linhas de crédito habitacional continuam a ser fundamentais para um dos principais motores do PIB nacional.

De acordo com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o crédito imobiliário deve alcançar cerca de R$ 411 bilhões em concessões até o final de 2023, superando as expectativas.

Minha Casa, Minha Vida impulsiona crescimento

O principal motor das vendas continua sendo a habitação popular. No segundo trimestre, 62.129 das 107.161 unidades lançadas pertenciam ao programa Minha Casa, Minha Vida, representando 58% do total, a maior participação desde o início da série histórica em 2019.

“Se a taxa de juros se mantiver em dois dígitos, acredito que chegaremos a 64% de participação do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Petrucci durante a apresentação dos indicadores imobiliários.

Foram vendidas 58.392 unidades do programa, em comparação a 55.284 dos segmentos de médio e alto padrão.

A concentração nas vendas de imóveis populares ajuda a explicar o crescimento das comercializações, mesmo em um ambiente de juros elevados. O programa oferece condições subsidiadas e recursos do FGTS, diminuindo a exposição dos compradores à Selic.

Entretanto, essa concentração em imóveis mais acessíveis impactou os indicadores financeiros: o VGL (Valor Geral de Lançamentos) caiu 23,1% no segundo trimestre, totalizando R$ 62,4 bilhões, em comparação a R$ 81,7 bilhões no ano anterior. O VGV (Valor Geral de Vendas) também recuou 5,5%, para R$ 66 bilhões.

A força do programa é mais evidente nas regiões Norte, Sudeste e Nordeste. No Norte, o Minha Casa, Minha Vida lidera com 68% dos lançamentos e 67% das vendas do trimestre. No Sudeste, que possui a maior fatia de mercado, o programa teve 66% de participação nos lançamentos e 58% nas vendas.

Essa disparidade também se reflete nos estoques, com a participação do programa na oferta final variando de 51% no Norte e 48% no Sudeste até apenas 17% no Sul.

Novas fontes de recursos ganham espaço

O aumento nas vendas ocorre em meio a uma mudança na estrutura de financiamento do setor. No primeiro semestre, os financiamentos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, uma alta de 29% em relação ao ano anterior. O crédito para construção, contratado por empresas, mais que dobrou, totalizando R$ 26,5 bilhões, um aumento de 107%. O financiamento para aquisição por pessoas físicas avançou 12%, totalizando R$ 67,2 bilhões.

Esse resultado é significativo, pois o SBPE é uma das principais fontes de crédito para os segmentos de renda média e alta, os mais afetados pelo aumento nos custos de financiamento.

A expansão ocorre enquanto o sistema se adapta para reduzir a dependência da poupança. O novo modelo de funding, que será implementado integralmente a partir de 2027, ampliará o uso de instrumentos como LCIs e recursos captados no mercado.

No entanto, a taxa básica elevada encarece as fontes alternativas de recursos. Bancos já discutem com o Banco Central a revisão do teto de 12% ao ano para financiamentos do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), argumentando que o custo de captação pode tornar algumas operações menos atrativas.

“Nós somos a melhor operação que um banco pode ter para pessoa física. Temos o menor índice de inadimplência e a melhor garantia, que é a garantia imobiliária”, afirma Petrucci.

Demanda segue forte

O levantamento revela que o interesse pela compra de imóveis continua elevado. A intenção de compra alcançou 52% dos entrevistados, o maior nível da série histórica e três pontos percentuais acima do ano anterior.

Entre os interessados, 31% afirmam que devem fechar o negócio em até um ano, e 37% entre um e dois anos.

O tipo de imóvel mais desejado é o apartamento, com 40% de preferência, seguido por casas de rua (38%) e casas em condomínio fechado (17%), segundo levantamento da Brain.

Sair do aluguel é o principal motivo, mencionado por 37% dos interessados. Mudanças familiares, como sair da casa dos pais, casamento ou separação, representam 27%20%% citam a busca por mais espaço ou melhorias na moradia.

A elevada intenção de compra contribui para a redução dos estoques. No Minha Casa, Minha Vida, o prazo estimado para a venda da oferta disponível é ainda menor: 7,6 meses.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – ANA PAULA BRANCO

Fonte: eshoje.com.br

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