A situação do Grupo Apex Partners se torna cada vez mais crítica à medida que a empresa tenta congelar a cobrança de suas dívidas e reestruturar suas finanças na Justiça. Um relatório técnico da Laspro Consultores, nomeada pelo juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, revela que o grupo não apresentou todos os documentos exigidos por lei e escondeu detalhes sobre suas dívidas.
O laudo da Laspro destaca que a plataforma de investimentos, que reúne 178 empresas, precisa prestar contas detalhadas antes que o juiz decida sobre o pedido de recuperação judicial.
O dinheiro dos prédios e projetos: a briga dos investidores
Um dos pontos mais polêmicos envolve os investidores em empreendimentos imobiliários do grupo. Muitas pessoas e empresas que aplicaram recursos em projetos específicos buscam judicialmente retirar esses negócios do processo de recuperação, argumentando que o dinheiro aplicado não deve ser misturado com a dívida geral da Apex.
- O medo dos investidores: Eles temem que os recursos destinados a obras sejam utilizados para cobrir outras perdas do grupo.
- O que diz o perito: A perícia concorda que a lei brasileira proíbe a inclusão de empresas com patrimônio protegido em recuperação judicial e alerta para a necessidade de separar rigorosamente as contas de cada projeto.
- Empresas criadas “ontem”: Algumas empresas incluídas no pedido de socorro foram criadas recentemente, o que contraria a exigência legal de dois anos de funcionamento para solicitar recuperação judicial.
Ex-sócio aponta dívidas omitidas
A crise da Apex também se intensifica com a disputa societária. O ex-sócio Fernando Kinelli acusa a atual gestão de omitir dívidas relacionadas a programas de cashback e antecipação de recebíveis. A Apex rebateu, afirmando que Kinelli foi afastado por decisão judicial e sugeriu uma mediação para resolver a questão.
Embate com o Banco BTG Pactual e o mercado financeiro
O Grupo Apex conseguiu uma liminar que proíbe o Banco BTG Pactual de cancelar contratos de serviços financeiros. O banco, por sua vez, alega que rompeu os contratos devido a descumprimentos regulatórios e que qualquer disputa deveria ser resolvida por arbitragem, não pela Justiça comum.
- A visão da Perícia: Os peritos destacam que a arbitragem é válida e que a Apex deve comprovar a necessidade dos serviços do BTG para sua sobrevivência.
Venda de empresa travada
A tentativa de venda da empresa Carbyne por R$ 20 milhões não teve sucesso, pois o prazo da proposta venceu. O perito alertou que nenhum bem do grupo pode ser vendido sem uma avaliação independente para determinar seu valor justo.
Bancos e cooperativas querem cobrar o que é deles
Cooperativas de crédito, como o Sicoob Sul Serrano, também acionaram a Justiça para retomar a cobrança de empréstimos concedidos à Apex, alegando que essas operações têm garantias reais. A perícia indicou que cabe ao juiz analisar cada contrato para decidir sobre a devolução das garantias.
O que acontece agora?
O relatório técnico deixa a decisão nas mãos do juiz. Para que o pedido de recuperação judicial seja aceito, o Grupo Apex precisa entregar todos os documentos e balanços contábeis atualizados, esclarecer a separação do dinheiro dos empreendimentos imobiliários e retirar do pedido as empresas recém-criadas. Além disso, é necessário apresentar contratos financeiros mantidos com grandes bancos para análise.
Fonte: eshoje.com.br