IGP estabelece núcleo para investigação de feminicídios no Rio Grande do Sul

IGP estabelece núcleo para investigação de feminicídios no Rio Grande do Sul

A criação do núcleo ocorre em um ano alarmante, com 60 feminicídios registrados no estado. Segundo o IGP, essa iniciativa é pioneira no Brasil, buscando incorporar características que diferenciam os feminicídios de outros tipos de homicídios durante o trabalho pericial.

Os peritos contarão com diretrizes específicas para examinar os locais de feminicídio, estabelecendo uma metodologia comum para localizar, registrar, interpretar, recolher e preservar vestígios encontrados nas cenas dos crimes.

O trabalho do NUPEFEM não se limitará à busca de evidências que conectem suspeitos ao local do crime. A perícia também deverá investigar informações que ajudem a compreender a dinâmica da violência e o contexto que precedeu o crime. Isso inclui sinais de um histórico de agressões, como violência psicológica ou simbólica, além de outros elementos que possam ajudar a reconstruir a relação entre a vítima e o agressor. Indícios de maus-tratos a animais também poderão ser considerados na análise.

Juliane Lorencena Chassot, coordenadora do NUPEFEM, ressalta que esse conjunto de elementos exige uma abordagem diferenciada na análise dos locais de feminicídio. “É um crime muito complexo, que apresenta vestígios únicos, baseados no gênero e em aspectos psicológicos. É necessário um olhar especializado para esses casos”, afirmou.

Integração de cinco áreas do IGP

O núcleo não será restrito a um único setor do IGP; profissionais de diferentes departamentos estarão envolvidos, incluindo Criminalística, Médico-Legal, Perícias Laboratoriais, Identificação e Perícias do Interior. Essa integração permitirá uma avaliação mais abrangente de cada caso, ajustando os procedimentos às características regionais.

Coleta e análise de dados

Além das investigações em campo, o NUPEFEM será responsável por reunir e organizar dados dos casos de feminicídio. Essas informações serão utilizadas para identificar padrões e mapear ocorrências no Rio Grande do Sul, com a criação de um banco de dados técnico-pericial específico para esse tipo de crime, respeitando as normas de proteção e sigilo.

Com essa abordagem, o IGP espera ampliar o entendimento sobre as circunstâncias dos feminicídios, contribuindo para a formulação de estratégias de prevenção e combate à violência contra as mulheres.

Capacitação e parcerias estratégicas

Outra iniciativa do NUPEFEM é a capacitação de peritos e profissionais de instituições parceiras que participam das investigações. O núcleo poderá estabelecer parcerias com órgãos públicos, universidades e centros de pesquisa, promovendo a troca de conhecimento e o desenvolvimento de estudos sobre a perícia em feminicídios.

A expectativa é que essa especialização fortaleça a produção de provas e forneça informações mais completas para as forças de segurança, aprimorando a investigação desses crimes.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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