Senado avança na votação da PEC da Segurança Pública com foco em penas mais severas

Senado avança na votação da PEC da Segurança Pública com foco em penas mais severas
Polícia Federal segurança pública
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu, nesta quarta-feira (14), a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto agora está pronto para análise no plenário do Senado, onde, se aprovado, será promulgado, uma vez que já teve aval na Câmara.

A proposta, de autoria do Poder Executivo, visa estabelecer penas mais rigorosas e regimes de prisão mais restritos para líderes de facções e milícias, além de criar um novo pacto federativo entre União, estados e municípios no combate ao crime no Brasil. Essa iniciativa é uma das prioridades do governo atual, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometendo a criação de um ministério da segurança pública após a aprovação da PEC.

O texto base da proposta foi aprovado no início de setembro, mas a análise de três destaques ficou pendente. No entanto, esses requerimentos não foram votados devido à ausência dos senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Alessandro Vieira (MDB-SE) na sessão. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), justificou que a falta dos autores dos destaques prejudicou a votação.

Alencar também informou que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para votar a proposta no plenário antes do segundo turno das eleições, agendadas para 25 de outubro.

Pelo que o Davi me falou ontem, nós temos condição de aprová-la ainda nesse período antes do segundo turno. Vamos trabalhar por isso, para que a matéria possa ser promulgada e o presidente [Lula] possa criar o Ministério da Segurança Pública do país.

Senador Otto Alencar (PSD-BA)

O que diz a PEC da Segurança Pública

Entre outras medidas, a PEC propõe a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), alterando o Artigo 144 da Constituição, que trata da segurança pública. A proposta inclui que a segurança deve ser exercida “em regime de cooperação federativa” e “por meio da atuação integrada e descentralizada” das diferentes instituições que trabalham com o tema.

Art. 144-A. Os órgãos de segurança pública articular-se-ão em regime de cooperação federativa, por meio do Sistema Único de Segurança Pública, destinado a assegurar a eficiência da prevenção, da persecução e da execução penal.

Texto da PEC da Segurança Pública

Facções e milícias

A PEC estabelece penas mais severas e regimes especiais de prisão para os chefes de facções e milícias, como a possibilidade de prisão em unidades de segurança máxima e restrições à progressão de penas. Além disso, prevê medidas patrimoniais contra o produto do crime, responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas e proteção a denunciantes e seus familiares.

Outra novidade da PEC é a criação de polícias municipais de natureza civil, que estarão sob o controle externo do Ministério Público e terão a atribuição de realizar policiamento ostensivo e comunitário nas cidades onde atuarão. A proposta também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e aumenta a vinculação do orçamento público para segurança pública.

Fundos de financiamento

De acordo com a PEC, 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão repassados pela União para estados e municípios, excluindo despesas de custeio e investimento da polícia penitenciária nacional do Funpen. As regras de financiamento visam fortalecer o FNSP e o Funpen, criando vinculações orçamentárias e garantindo repasses obrigatórios, aumentando a previsibilidade financeira e a continuidade das ações policiais.

As regras de financiamento fortalecem o FNSP e o Funpen, criam vinculações e blindagens orçamentárias e garantem repasses obrigatórios. Essas medidas aumentam a previsibilidade financeira, garantindo a perenidade das ações policiais.

Senador Otto Alencar (PSD-BA)

A PEC ainda prevê que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado ao pré-sal, sejam destinados aos fundos da segurança, reforçando o financiamento contínuo das políticas nacionais de segurança pública e execução penal. Além disso, a proposta estabelece a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pelo sistema prisional brasileiro, e autoriza a atuação conjunta da União, estados e municípios na legislação sobre segurança pública, organização de polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.

Fonte: folhavitoria.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE