Desigualdade salarial de gênero já surge na primeira contratação

A diferença salarial começa antes do primeiro salário

O 5º Relatório de Transparência Salarial revelou que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens em companhias com cem ou mais funcionários, marcando um aumento em relação ao índice anterior, que era de 20,7%, mesmo três anos após a sanção da Lei da Igualdade Salarial.

A origem do abismo financeiro

Um dos dados mais alarmantes do levantamento indica que a disparidade não surge apenas com o passar dos anos de carreira. A divergência no valor mediano de contratação subiu de 13,7% para 14,3%, provando que o primeiro holerite já carrega essa desigualdade.

No cenário regional, o Espírito Santo aparece entre as unidades federativas com maiores taxas de disparidade de remuneração entre gêneros, ficando ao lado do Rio de Janeiro e do Paraná, enquanto as menores discrepâncias estão concentradas no Norte, Nordeste e Distrito Federal.

Crescimento de contratadas sem equidade na massa salarial

Apesar de o total de mulheres empregadas nessas empresas ter avançado de 7,2 milhões para 8 milhões — com salto de 29% entre trabalhadoras negras —, a fatia delas na massa total de rendimentos permanecidade estagnada em 35,2%, embora representem 41,4% da força de trabalho. Seria preciso injetar R$ 95,5 bilhões em remunerações para equiparar os ganhos de ambos os sexos.

O peso da negociação inicial

O comportamento na mesa de negociação ajuda a explicar parte dessa dinâmica, conforme apontado em estudo clássico da área.

Contudo, pesquisas posteriores demonstram que o problema não reside apenas na postura individual, já que mulheres que tentam negociar muitas vezes enfrentam avaliações mais negativas do que os homens na mesma situação.

Novas diretrizes corporativas

Diante da exposição pública dos dados por CNPJ, as organizações precisam adotar novas posturas para mitigar o problema.

Estratégias para profissionais

Para as trabalhadoras, o levantamento serve de alerta para que a negociação e a busca por informações sobre faixas salariais ocorram desde o início do processo seletivo.

A transparência cumpriu seu papel ao expor o problema, mas a correção da rota exige ações práticas na mesa de negociação e nos critérios de promoção corporativa.

Fonte: Folha Vitória

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