Analistas indicam que as expectativas para o segundo trimestre estão ajustadas para resultados positivos, embora a ação já tenha registrado um crescimento de cerca de 20% no acumulado do ano, o que pode limitar o espaço para surpresas. As projeções entre bancos e corretoras apontam para mais um trimestre de crescimento em lucro e Ebitda, principalmente impulsionado pela divisão de cervejas no Brasil.
Instituições financeiras como XP, BTG Pactual, Itaú BBA e Bradesco BBI concordam que a operação brasileira deve continuar a ser o principal motor dos resultados, beneficiada por uma base de comparação mais fácil após um segundo trimestre de 2025 mais fraco. Além disso, a empresa tem conquistado participação de mercado em relação à Heineken e ao Grupo Petrópolis.
As estimativas para o trimestre variam entre receita líquida de R$ 20,4 bilhões e R$ 21,1 bilhões, com Ebitda entre R$ 6,3 bilhões e R$ 6,6 bilhões, e lucro líquido próximo de R$ 3 bilhões.
A principal discussão no mercado gira em torno da evolução dos volumes de cerveja no Brasil, com previsões variando entre crescimento de 5% e 8% na comparação anual. A XP adota uma visão conservadora, esperando uma expansão de 5%, enquanto BBI e Itaú BBA projetam alta de 8%. O BTG estima um crescimento de 6,7%.
Os analistas da XP acreditam que a recuperação se deve a uma combinação de fatores, como uma base comparativa favorável, uma estratégia comercial mais agressiva e a perda de participação do Grupo Petrópolis. No entanto, o clima desfavorável, com temperaturas abaixo da média histórica, pode ter impactado o consumo.
Outro fator relevante foi a realização da Copa do Mundo durante o trimestre, que pode ter influenciado as estimativas de consumo. O Itaú BBA considera que o impacto do evento sobre o consumo é difícil de mensurar, mas estima um crescimento de 8% nos volumes de cerveja no Brasil. O BTG também acredita que o torneio ajudou a impulsionar os volumes, mas alerta para um possível otimismo excessivo em relação a esse efeito.
Enquanto o Brasil apresenta um cenário promissor, as operações internacionais enfrentam desafios. A XP prevê um ambiente de consumo pressionado na América Latina, especialmente na Argentina e na Bolívia, e uma recuperação gradual no Canadá. O BBI também projeta uma queda de volumes em algumas regiões, embora espere crescimento de Ebitda em algumas operações devido a ganhos operacionais.
Apesar das expectativas positivas, várias instituições financeiras acreditam que o mercado já embutiu boa parte da melhora no preço das ações. O BBI mantém uma recomendação neutra com preço-alvo de R$ 15, enquanto o Itaú BBA também mantém uma recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17. Por outro lado, o BTG Pactual adota uma visão mais otimista, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20, defendendo que a Ambev pode ampliar sua participação na receita da indústria nos próximos anos.
A XP acredita que a companhia deve apresentar um segundo trimestre sólido, sustentado pela melhora operacional no Brasil, embora os ventos favoráveis esperados para 2026 sejam menos expressivos do que o inicialmente projetado pelo mercado.
Fonte: infomoney.com.br
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