O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, declarou que um aumento de 1% no salário dos professores da rede estadual acarretaria um custo adicional de quase R$ 500 milhões por ano. A afirmação foi feita durante uma entrevista à rádio Jovem Pan, onde o governador foi questionado sobre a remuneração dos docentes paulistas.
Tarcísio destacou que São Paulo ocupa a 16ª ou 17ª posição no ranking nacional de salários de professores. Com mais de 200 mil docentes ativos na rede estadual, o impacto de qualquer reajuste é significativo nas contas públicas. O governador afirmou: “Quando você dá 1 ponto de aumento percentual, a gente tá falando em quase R$ 500 milhões de despesa a mais, e é todo ano, e o impacto que isso vai ter na Previdência.”
Ele também expressou seu desejo de oferecer melhores salários, afirmando: “Eu adoraria pagar o melhor salário do Brasil para os professores e acho que eles merecem.”
Comparativo salarial
Um levantamento do Movimento Profissão Docente, divulgado em janeiro de 2026, comparou os salários de professores da rede pública por unidade da Federação em 2025. A remuneração inicial de um professor da rede pública estadual de São Paulo, em jornada de 40 horas semanais, era de R$ 5.565, abaixo da média nacional de R$ 6.212,36. Mato Grosso do Sul liderava o ranking com R$ 13.007,12.
Na remuneração final, considerando a progressão salarial, os professores paulistas recebiam R$ 14.469, superando a média nacional de R$ 9.799,54, mas ainda atrás de profissionais de Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins.
Uso de tecnologia na educação
Tarcísio reconheceu as críticas de professores e coordenadores sobre o uso de ferramentas tecnológicas na educação, afirmando que o objetivo é auxiliar tanto docentes quanto alunos. Ele admitiu que algumas medidas podem ter causado um “engessamento” no processo educativo. “A ideia nunca foi engessar, a ideia foi flexibilizar”, disse.
O governador mencionou que o governo está revisando a estratégia de uso das plataformas tecnológicas para proporcionar mais flexibilidade aos professores, citando ferramentas para a preparação para o Enem e programas de tutoria.
Resultados do IDEB
Sobre a queda de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, que colocou o Estado na 10ª posição nacional em 2025, Tarcísio contestou os dados, argumentando que não consideram o ensino técnico. Ao incluir ambas as modalidades, a nota de São Paulo aumentaria de 4,3 para 4,5, elevando a posição para o 8º lugar.
O governador também destacou a expansão do ensino técnico, que passou de 12% para 42% dos alunos do ensino médio desde sua gestão. Nos indicadores do ensino fundamental, São Paulo avançou, com o fundamental 1 passando de 6,2 para 6,6, e o fundamental 2 de 5,1 para 5,2.
Planos para o próximo mandato
Se reeleito, Tarcísio pretende expandir escolas de tempo integral, programas de tutoria e recuperação da aprendizagem, além de reformular cursos do Centro Paula Souza para atender áreas emergentes como inteligência artificial e semicondutores. Ele também mencionou melhorias na infraestrutura escolar, com a instalação de ar-condicionado em mais escolas e reformas em 3.400 unidades.
Na política de bonificação, 180 mil profissionais da educação receberam bônus com base no desempenho dos alunos, totalizando R$ 1 bilhão, um aumento significativo em relação ao início do programa.
Fonte: poder360.com.br