Cientistas repatriados temem por futuro da pesquisa no Brasil após eleições

Cientistas repatriados temem por futuro da pesquisa no Brasil após eleições

Pesquisadores brasileiros que retornaram do exterior para desenvolver projetos no Brasil expressam preocupações sobre o futuro da pesquisa no país. Com as eleições presidenciais se aproximando, muitos temem que a instabilidade orçamentária possa comprometer suas carreiras e os estudos que estão conduzindo.

Um manifesto assinado por 25 cientistas do programa Conhecimento Brasil, criado pelo CNPq em 2024, destaca a preocupação com a falta de compromissos explícitos em relação ao financiamento de pesquisa e formação de cientistas no plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL). Os pesquisadores afirmam que muitos foram forçados a deixar o Brasil durante o governo anterior devido ao congelamento de investimentos em ciência.

A biomédica Marcela Teatin Latancia e o biólogo André Machado Xavier, que retornaram ao Brasil após anos no exterior, relatam incertezas sobre os recursos necessários para suas pesquisas. Eles enfatizam que o financiamento da ciência é crucial, mas frequentemente é um dos primeiros cortes em tempos de crise.

Impacto da política de ciência e tecnologia

Em seu plano de governo, Flávio Bolsonaro menciona que o CNPq e a Capes priorizarão o impacto produtivo e a inovação. No entanto, os pesquisadores questionam a viabilidade de tais propostas, especialmente considerando a necessidade de um orçamento robusto para a educação e a pesquisa.

Uma pesquisa coordenada pela socióloga Ana Maria Carneiro revelou que as principais motivações dos cientistas para atuarem no exterior incluem melhores condições de financiamento e a situação política no Brasil. Essa realidade é refletida na trajetória de Marcela, que estuda o reparo de DNA no tratamento de câncer e teme pela continuidade de sua pesquisa.

O receio de uma nova fuga de cérebros

A inquietação da comunidade científica é evidente, com entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) alertando sobre os riscos de uma nova onda de fuga de cérebros. A presidente da SBPC, Francilene Garcia, destaca que a perda de investimento em ciência compromete o futuro do país.

Maria Angélica Pedra Minhoto, coordenadora do Sou_Ciência, ressalta que a interrupção de linhas de pesquisa pode resultar em perda de conhecimento e oportunidades de formação. Embora a retração nos recursos tenha raízes anteriores ao governo Bolsonaro, ela se aprofundou durante seu mandato, e a recuperação observada em 2023 e 2024 é vista como um passo positivo.

O papel do Conhecimento Brasil

O CNPq afirma que o programa Conhecimento Brasil, financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), visa fixar cientistas no país e fortalecer a cooperação com pesquisadores brasileiros no exterior. Em 2024, foram realizadas chamadas públicas que aprovaram projetos de repatriação e redes de cooperação científica.

Os autores do manifesto criticam propostas que reorientam o fomento à pesquisa e afirmam que a continuidade dos programas de repatriação é essencial para garantir a estabilidade no financiamento das pesquisas e a formação de cientistas no Brasil.

Com a aproximação das eleições, a comunidade científica observa atentamente as promessas dos candidatos, na esperança de que o futuro da pesquisa no Brasil seja garantido.

Por Fernanda Mena

Fonte: eshoje.com.br

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