Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um acalorado debate nesta terça-feira (16.jun.2026) durante o julgamento da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu manter a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, com um placar de 3 votos a 1.
stf: cenário e impactos
A discussão se intensificou após Gilmar Mendes criticar a detenção de Vorcaro e de outros envolvidos na operação Compliance Zero, comparando os procedimentos adotados a práticas da Lava Jato, sugerindo que as prisões poderiam ser utilizadas para forçar delações.
Mendonça defende o caso Master como um crime financeiro sério
André Mendonça, relator do caso, rebateu as críticas de Gilmar, enfatizando que o julgamento focava no caso concreto e não na operação de Curitiba. Ele destacou que a situação em questão representa “a maior fraude financeira da história” do Brasil, e não se limita a um crime de colarinho branco.
Mendonça citou indícios de lavagem de dinheiro, corrupção e danos ao sistema financeiro, além da dilapidação de recursos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Críticas de Gilmar sobre os métodos da Compliance Zero
Gilmar Mendes argumentou que a operação Compliance Zero utiliza métodos que se assemelham à Lava Jato, mencionando vazamentos de informações e a exposição de dados pessoais dos investigados. Ele também criticou medidas cautelares que afetam familiares de potenciais colaboradores, considerando-as um instrumento de pressão.
O ministro alertou que essa abordagem pode comprometer a voluntariedade das colaborações premiadas, afirmando que a escolha de colaborar deve ser genuína e livre de constrangimentos.
Mendonça reafirma sua postura como relator
Em resposta, Mendonça deixou claro que não tem interesse em conduzir o caso para delações, rejeitando tentativas de desacreditar sua atuação. Ele afirmou que não realiza prisões com o objetivo de obter delações, garantindo que não aceitaria propostas de delação seletiva.
“Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva comigo não”, declarou, enfatizando a integridade de sua função como relator.
Desentendimentos sobre a competência no processo
Gilmar Mendes contestou a posição de Mendonça, afirmando que como relator, ele não teria a competência para celebrar acordos de delação. Mendonça, por sua vez, esclareceu que sua função é homologar acordos, não celebrá-los.
O debate entre os ministros reflete as tensões e divergências que permeiam o sistema judiciário brasileiro, especialmente em casos de grande repercussão como o caso Master.
Fonte: poder360.com.br