A implicação de Jaques Wagner na 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, pode alterar o cenário eleitoral ao igualar as percepções sobre corrupção entre direita e esquerda. Essa análise é de Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group.
Garman destaca que, a curto prazo, o impacto na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a ser menos prejudicial do que o de Flávio Bolsonaro. Contudo, o especialista alerta que o cenário geral sugere um “nivelamento por baixo” entre os campos políticos.
Munição para ambos os lados na campanha eleitoral
Segundo Garman, cada campo político deve explorar o escândalo em seu benefício. “O campo oposicionista, representado por Flávio Bolsonaro ou outros candidatos, usará as denúncias contra o líder do governo e Jaques Wagner para associar o Banco Master ao governo”, explica.
Por outro lado, o PT usará as denúncias e os áudios para vincular o Banco Master à candidatura de Flávio Bolsonaro. O resultado desse embate, conforme Garman, pode levar os eleitores a uma conclusão negativa sobre todos os envolvidos: “A minha aposta é que, ao final, os ataques mútuos resultarão na percepção de que ambos são corruptos”.
Corrupção preocupa, mas não garante vantagem eleitoral
Apesar de a corrupção ser uma preocupação significativa para o eleitorado brasileiro, Garman acredita que o tema não proporcionará vantagem líquida para nenhum dos lados. “Quando você faz uma pesquisa nacional, as duas maiores preocupações eleitorais são segurança e corrupção”, observa.
Ele ressalta que o eleitor tende a se perder nos detalhes das denúncias em meio a um ciclo investigativo intenso. Em relação ao impacto do vazamento de um áudio envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, Garman acredita que os efeitos devem se dissipar com o tempo.
“Temos várias manchetes novas em um ciclo investigativo profundo, então o impacto específico do vazamento do áudio também deve se dissipar”, conclui.
Fonte: cnnbrasil.com.br