Estudar no exterior é um desejo comum entre muitos, proporcionando acesso a ambientes acadêmicos de excelência e a oportunidades de intercâmbio cultural. Contudo, o processo de aprovação é desafiador e, muitas vezes, a falta de recursos financeiros dificulta a permanência dos estudantes nesses espaços.
Com isso em mente, o Fundo Baobá, uma instituição dedicada à promoção da equidade racial, lançou o programa Black STEM, focado em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A iniciativa selecionou três estudantes negros que receberão uma bolsa de R$ 42 mil para sua permanência no exterior, com embarque previsto para setembro.
Estudantes selecionados
Os três estudantes contemplados são:
- Caio Ramos, que irá estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation, nos Emirados Árabes Unidos;
- Quezia Fernanda, que cursará Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha;
- João Vitor, que será aluno de Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.
Recentemente, o Fundo Baobá deu as boas-vindas aos estudantes aprovados no programa.
Desafios e superações
Caio Ramos, de 23 anos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro, enfrentou desafios significativos em sua trajetória. Durante a pandemia, sua escola não conseguiu oferecer aulas online, e ele também lidou com a deterioração da saúde de seu pai, que foi diagnosticado com Alzheimer e Parkinson. Para ajudar em casa, Caio começou a trabalhar em 2022, o que dificultou seu ingresso no ensino superior.
“Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas também é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, afirmou Caio.
Quezia Fernanda, de 19 anos, natural de Rio das Ostras, também superou obstáculos. Com formação técnica em automação industrial, ela soube da bolsa por meio de uma parceria entre seu instituto e a Faculdade de Jaén. Quezia se sente motivada a cursar Engenharia Elétrica, reconhecendo a importância da energia em sua região.
“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica a possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero me aprofundar na área sustentável,” explicou Quezia.
João Vitor, oriundo de Cruz das Almas, na Bahia, sempre teve afinidade com a computação. A decisão de estudar na Northwestern University surgiu após conhecer um estudante brasileiro de origem quilombola na instituição, o que reforçou sua conexão com suas raízes.
“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram e abriram portas para mim”, ressaltou João Vitor.
Apoio e permanência
O programa Black STEM não se limita a fornecer recursos financeiros. Além do valor destinado a moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, oferece mentorias de carreira, workshops e acompanhamento psicológico. O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, enfatizou a importância de criar uma rede de apoio para garantir a permanência dos estudantes no exterior.
“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte”, explicou Harvey.
O objetivo da iniciativa é inspirar estudantes negros a acreditarem que podem ocupar espaços de destaque e alcançar seus sonhos.
*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br