Lula enfrenta queda de votos em pequenas cidades e Flávio Bolsonaro se destaca nas urnas

Lula enfrenta queda de votos em pequenas cidades e Flávio Bolsonaro se destaca nas urnas

A recente eleição para o primeiro turno revelou uma diferença histórica entre os candidatos, com apenas 2,3 milhões de votos separando os dois primeiros colocados, em um total de 170 milhões de votos. Esse cenário expôs mudanças significativas no eleitorado em comparação a 2022.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu 3 milhões de votos em relação ao pleito anterior, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 4,6 milhões a mais do que seu pai, Jair Bolsonaro. Essa análise foi feita pelo diretor de jornalismo do Canal Meio, Pedro Doria, durante entrevista ao CNN 360º.

Doria observou que as grandes cidades mantiveram seus padrões de votação, mas a principal variação ocorreu nas cidades pequenas e médias, especialmente aquelas com menos de 50 mil habitantes.

Os votos perdidos por Lula não migraram para candidatos de terceira via, mas foram diretamente para Flávio Bolsonaro. Doria descreveu esse movimento como típico de um eleitor que não está fixado na polarização política. “Esse eleitor está em busca de um candidato que realmente o represente”, afirmou.

Classe C: pragmatismo e aspiração por ascensão social

O especialista aprofundou a análise do perfil desse eleitor, destacando que a classe C, que representa 49% da população brasileira, tem um forte desejo de ascensão social. Segundo Doria, esse eleitor não busca desinformação, mas sim oportunidades de crescimento.

Além disso, ele rejeita o modelo de emprego formal, buscando viabilizar-se como pequeno empreendedor, o que é dificultado pela burocracia e complexidade tributária do Brasil.

Políticas percebidas como contrárias ao pequeno empreendedor

Doria citou medidas do governo atual que foram vistas negativamente por esse público, como a taxação sobre produtos importados de baixo valor. Para muitos, a compra de produtos chineses é um símbolo de status e uma fonte de renda.

Entretanto, ele também destacou que, especialmente entre as mulheres da classe C, há uma dependência significativa de serviços públicos, o que gera ambivalência na hora do voto.

Abstenção pode beneficiar Lula no segundo turno

Sobre o alto índice de abstenção, que se manteve próximo dos 20%, Doria observou que a concentração ocorreu na periferia dos grandes centros urbanos, onde o perfil demográfico tende a votar em Lula.

“Esse eleitor parece não querer votar nos Bolsonaro, mas também não está satisfeito com o governo Lula. A queda na abstenção no segundo turno poderia ser uma surpresa positiva para o governo”, concluiu Doria.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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