A Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a suspensão do canal ‘Exército do Lula’, que é administrado pelo deputado André Janones. A decisão gerou controvérsias na Corte, refletindo a tensão em torno da mobilização política nas redes sociais.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, argumentou que a adesão voluntária de apoiadores em um canal de WhatsApp, bem como a publicação simultânea de conteúdo político, não configuram, por si só, fraudes eleitorais. Para ele, a mobilização de pessoas reais, que se organizam para fazer campanha e persuadir outras pessoas, é parte do exercício da capacidade eleitoral ativa.
Argumentos sobre liberdade de expressão e mobilização
A Procuradoria enfatizou que a liberdade de expressão não deve ser garantida apenas de forma formal, mas também por meio da preservação de espaços que possibilitam a mobilização. Espinosa destacou que a organização de pessoas para agir coletivamente é uma manifestação legítima do eleitorado, e não uma manipulação digital.
Critérios para caracterização de práticas ilegais
Para que uma prática seja considerada ilegal, a Procuradoria apontou a necessidade de comprovar a existência de contas falsas, robôs, automação ou compra irregular de engajamento. No caso do ‘Exército do Lula’, a Procuradoria afirmou que as plataformas não apresentaram indícios de tais comportamentos fraudulentos.
Velocidade e sincronia como evidências de mobilização
O documento da Procuradoria argumentou que a velocidade e a sincronia das publicações não são evidências de fraude, mas sim da disciplina da mobilização. A Procuradoria ressaltou que centenas de milhares de publicações na primeira hora de um evento não provam falsidade, mas sim a capacidade de organização dos apoiadores.
Investigação da campanha de Flávio Bolsonaro
A manifestação do Ministério Público Eleitoral ocorreu em resposta a uma ação da campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, que solicitou a investigação do canal. O MPE também pediu esclarecimentos sobre como um anúncio pago que direcionava para o canal conseguiu passar pelo sistema de verificação da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp.
Fonte: g1.globo.com