(Bloomberg) — O ciclo de El Niño, que promete ser o mais forte já registrado, está levando gestores financeiros a se prepararem para disrupções significativas nas colheitas e na economia. Este fenômeno climático, ligado ao aquecimento do Oceano Pacífico equatorial, está provocando secas e enchentes que afetam a produção agrícola, resultando em aumento nos preços das commodities alimentícias e revisões nas estimativas de inflação.
A especialista Katie Self, da Pictet Asset Management, afirma que “nenhum canto dos mercados globais de ativos estará totalmente protegido”. A expectativa é de que este El Niño seja o mais extremo da história, o que torna a adaptação às suas consequências uma prioridade para investidores.
A Man Group, a maior gestora de fundos hedge do mundo, alertou que setores como infraestrutura, metais e fertilizantes podem ser severamente impactados. A T. Rowe Price, por sua vez, está utilizando modelos personalizados para proteger seu portfólio de US$ 165 bilhões contra os efeitos do fenômeno.
Os analistas Kamesh Korangi e Rose Choy, do Anthropocene Fixed Income Institute, destacam que o cenário macroeconômico atual é diferente de fases anteriores do El Niño, com taxas de juros e níveis de endividamento mais altos. Eles identificaram países como Indonésia, Brasil e Colômbia como os mais vulneráveis, alertando para possíveis efeitos globais.
Self enfatiza que, embora o El Niño tenha origem no Pacífico, seus efeitos são globais. As estratégias de investimento incluem apostas em taxas de juros que podem ser impulsionadas pela inflação e no impacto do fenômeno nos mercados de energia.
O inverno é visto como um período crítico, onde forças climáticas e geopolíticas podem convergir, criando um ambiente propício para gestores que buscam oportunidades. Self e sua equipe estão focando em empresas que desenvolvem tecnologias para enfrentar os desafios climáticos, como soluções de irrigação inteligente e sistemas de drenagem.
Os efeitos físicos do El Niño já são visíveis, com países do Sudeste Asiático enfrentando poluição extrema do ar e a Índia lidando com uma das monções mais fracas em anos. Investidores com exposição a terras e agricultura em países em desenvolvimento enfrentam riscos elevados.
Jonathan Dean, da BNP Paribas Asset Management, está monitorando projetos de crédito de carbono, dado o aumento do risco de incêndios florestais. A adaptação a esses riscos é fundamental para a sustentabilidade dos projetos, que incluem tecnologias de sensoriamento remoto e seguros.
Self conclui que o El Niño é um fator agravante em um contexto já complexo, onde as interações entre clima e economia podem tornar a situação ainda mais desafiadora.
Fonte: infomoney.com.br