Novas fotografias reveladas por investigadores particulares mostram o paradeiro de Adam, o menino brasileiro que foi levado para o Egito pelo pai sem o consentimento da mãe há quatro anos. Os registros foram obtidos em abril deste ano, meses após a Justiça egípcia determinar que a guarda da criança deveria retornar para a mãe, Karin Rachel Aranha Toledo.
Identificação e disfarces Nas imagens exclusivas, o garoto aparece saindo de uma propriedade associada aos parentes paternos na companhia da avó. “Meu filho está andando de boné e máscara para não ser identificado”, disse a mãe.
Apesar de o trabalho dos profissionais contratados ter conseguido mapear a exata localização do menino, a retirada dele do local depende estritamente das forças de segurança locais. “Eles encontraram o Adam, tudo que você possa imaginar do Adam, mas quem tem que fazer o serviço de pegar o Adam é a polícia, não são os advogados”, relatou.
Entraves diplomáticos e judiciais A disputa jurídica envolve tribunais de ambos os países desde setembro de 2022, data em que a criança foi retirada do território brasileiro quando tinha apenas quatro anos de idade. No Brasil, a Justiça Federal de Campinas (SP) emitiu a prisão preventiva do pai, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg, culminando na inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol.
A mulher mudou-se para o território egípcio para acompanhar de perto o andamento dos processos e obteve uma sentença favorável em novembro de 2025. Contudo, as ordens de busca e apreensão emitidas posteriormente não surtiram efeito prático nas tentativas de resgate. “É surreal eu ver o perfil do meu filho. Essa imagem não sai da minha cabeça toda vez que eu vou dormir, toda vez que eu acordo”, disse a mãe.
Sensação de impotência Diante das barreiras enfrentadas para resgatar o garoto mesmo após a confirmação de seu paradeiro, a brasileira relata um sentimento profundo de esgotamento e falta de alternativas viáveis. “Eu tentei de tudo, eu fiz de tudo e eu consegui tudo. E, no fundo, eu não consegui nada”.
Após sofrer ameaças que motivaram sua ida temporária para a Bélgica com o auxílio de uma instituição, ela retornou ao Brasil e atualmente relata não possuir condições de segurança para voltar ao solo egípcio sem proteção adequada. Os dados coletados pelos detetives foram devidamente encaminhados às autoridades competentes e à representação diplomática do Brasil.
Fonte: G1 Geral