Diante da recente crise financeira envolvendo a Apex Partners, que resultou no rompimento do contrato com o Banco BTG Pactual, o foco do mercado financeiro e do setor público capixaba se voltou para os grandes projetos de investimento do Estado. Um dos principais destaques é o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, que se mantém completamente protegido contra os problemas que afetam a Apex.
Conforme apurado pela reportagem do ES Hoje, a gestão do fundo não é realizada pelo BTG Pactual, mas sim pela BTG Pactual Asset Management, que não teve qualquer participação ou poder de decisão da Apex Partners no fundo.
Alocação rigorosa e rejeição de ativos
A Apex sugeriu teses de investimento para a carteira, mas nenhuma delas foi aceita. O Comitê e a Área de Riscos da BTG Pactual Asset Management não aprovaram a alocação em qualquer ativo de crédito privado proposto, garantindo assim a segurança do fundo.
Atualmente, o Fundo de Descarbonização apresenta um cenário de liquidez e segurança:
- Patrimônio Inicial: O fundo começou com R$ 220 milhões, com potencial de atingir até R$ 1 bilhão.
- Alocação Atual: 100% do capital está aplicado em títulos públicos federais, considerados os ativos de menor risco do Brasil.
- Crédito Privado Zero: Não há investimentos em papéis corporativos ou ativos privados no momento.
O Fundo Verde do Bandes e a estrutura de blended finance
O fundo, liderado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), é fundamental para o cumprimento do Plano de Descarbonização do ES, que visa reduzir em 27% as emissões de gases de efeito estufa até 2030. O modelo de blended finance combina R$ 500 milhões do Fundo Soberano do Espírito Santo com recursos privados geridos pela BTG Pactual Asset Management.
“O Fundo de Descarbonização representa um avanço relevante na forma como políticas públicas e capital privado podem atuar de maneira complementar para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono. Ao unir uma governança robusta e critérios técnicos rigorosos, a parceria com o Bandes cria um instrumento capaz de transformar metas climáticas em investimentos concretos”, afirmou Sergio Cutolo, sócio da BTG Pactual Asset Management.
Onde os recursos serão aplicados
Com a autorização do comitê de risco, os recursos serão direcionados a projetos que promovam a transição ecológica no Espírito Santo, abrangendo setores como:
- Energia Limpa: Geração solar, eólica, biogás e biometano;
- Indústria e Logística: Tecnologias limpas e eficiência energética;
- Campo e Floresta: Reflorestamento e agricultura regenerativa;
- Resíduos: Reciclagem e valorização energética de lixo.
A governança determina que os ativos devem ser emitidos por empresas atuantes no Estado, evitando a concentração de recursos em um único setor.
Fonte: eshoje.com.br