O mercado de crédito privado brasileiro enfrenta um cenário mais arriscado do que em anos anteriores, mas isso não deve afastar os investidores. Marcelo Urbano Dias, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset Management, ressalta que, em meio a esses desafios, surgem oportunidades valiosas. A seleção criteriosa de ativos e a cautela na formação de carteiras são essenciais para navegar nesse ambiente.
Urbano destaca que, após um longo período de juros baixos, o mercado se habituou a um cenário mais calmo. Com o aumento do volume de operações, problemas de crédito tendem a se tornar mais frequentes. No entanto, ele acredita que não há uma questão sistêmica nos portfólios geridos.
“Não vejo ali uma questão sistêmica dentro dos nossos portfólios”
Essas observações foram feitas durante sua participação no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.
Estratégia de risco: analogia com trilhas
Para ilustrar como enfrenta o aumento do risco, Urbano comparou a gestão de crédito a uma caminhada em trilhas desafiadoras. Um trilheiro experiente sabe como se proteger em condições adversas e, da mesma forma, um gestor deve ter cuidado redobrado na entrada das operações e diversificação da carteira. Ele enfatiza que um erro na escolha de um ativo pode ser difícil de corrigir, resultando em perdas significativas.
Crescimento dos FIDCs e suas implicações
Um dos tópicos centrais abordados foi o crescimento acelerado dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Urbano, que estruturou seu primeiro fundo em 2006, considera esses veículos promissores, mas alerta para a falta de maturidade da indústria. Com estimativas de emissões em torno de R$ 100 bilhões, ele menciona que a probabilidade de problemas aumentam com o volume.
Ele critica a tendência de investidores avaliarem a qualidade dos FIDCs apenas pela valorização das cotas subordinadas, sem considerar os critérios de seleção e a real qualidade dos ativos.
Avaliação correta de fundos de recebíveis
Urbano sugere que a avaliação de um FIDC deve se basear no fluxo de caixa real, nos critérios de seleção dos créditos e na veracidade das informações fornecidas. Ele recomenda acompanhar as curvas de safra, que mostram o retorno de cada lote de créditos ao longo do tempo, comparando com o custo do fundo. Além disso, alerta que fundos com prazos mais curtos podem dar uma falsa sensação de segurança, pois um erro no gerenciamento pode comprometer todo o investimento.
Fonte: infomoney.com.br