O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou sua rejeição aos resultados da pré-contagem do primeiro turno das eleições presidenciais, ocorridas em 31 de maio de 2026. Em uma publicação no X, Petro afirmou que só reconhecerá os dados oficiais fornecidos pelas comissões de escrutínio, compostas por juízes.
eleição: cenário e impactos
A declaração do presidente surgiu após a confirmação de que Abelardo de la Espriella, representando a direita, e Iván Cepeda, da esquerda, avançaram para o segundo turno, agendado para 21 de junho de 2026. Cepeda, senador pelo Pacto Histórico, conta com o apoio de Petro.
Com 99,94% das urnas apuradas, La Espriella obteve 43,73% dos votos, enquanto Cepeda ficou em segundo lugar com 40,91%. Paloma Valencia, também da direita, terminou em terceiro com 6,92% dos votos.
Petro contestou a legitimidade da pré-contagem, alegando que os dados não têm “força vinculante” e não constituem “norma pública”. Ele declarou que não aceita os resultados atribuídos à empresa privada dos irmãos Bautista, afirmando que houve alterações nos algoritmos do software de contagem.
“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da empresa privada dos irmãos Bautista, porque, devendo estar parados os algoritmos do software de contagem e escrutínios, na última semana foram alterados em 3 oportunidades e acrescentaram 800 mil cédulas a mais de pessoas que não estão no censo oficial apresentado”, afirmou.
Petro destacou a existência de “dois censos neste momento”: o oficial e o do software dos irmãos Bautista. Segundo ele, o sistema teria 800 mil pessoas a mais do que o censo oficial.
O presidente também mencionou que mesas já impugnadas demonstram que “centenas de milhares de votos foram acrescentados” sem a presença de eleitores. No entanto, ele não apresentou evidências concretas para suas alegações.
A contagem de votos na Colômbia ocorre em duas etapas: a primeira é a pré-contagem, realizada na noite da eleição, que não possui efeito legal. A segunda é o escrutínio oficial, conduzido por comissões formadas por juízes, notários e outros funcionários públicos, onde são revisadas possíveis irregularidades.
“Portanto, e conforme a lei, os resultados vinculantes que o presidente atenderá e aceitará são os das comissões escrutinadoras dirigidas pelos juízes da República”, reiterou Petro.
Segundo o jornal El País, Cepeda, que conta com o apoio de Petro, também solicitou esclarecimentos sobre os resultados provisórios, mencionando a existência de mesas com “votações atípicas”.
La Espriella respondeu às declarações de Petro em um discurso em Barranquilla, afirmando que o presidente não deveria desconsiderar os resultados e alertando sobre uma possível reação da população. “Defenderemos a democracia pela razão ou pela força”, declarou.
A direita começou a se reorganizar após o primeiro turno, com Paloma Valencia declarando apoio a La Espriella. O ex-presidente Álvaro Uribe também anunciou seu voto no candidato para o segundo turno.
O centro político deve ter um papel significativo na etapa final da disputa. Sergio Fajardo, que ficou em quarto lugar, afirmou que seu grupo irá refletir antes de tomar uma posição. A disputa se configura entre La Espriella, que busca unificar a direita, e Cepeda, que representa o governo atual da Colômbia.
Fonte: poder360.com.br