O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarou em um evento na Casa de Portugal, na capital paulista, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi contra a chamada “taxa das blusinhas”. A afirmação foi feita durante uma roda de conversa com jornalistas, na quarta-feira, 13.
lula: cenário e impactos
Após um período de desgastes na aprovação do governo federal, Lula sancionou uma Medida Provisória (MP) que elimina o imposto federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50. Essa cobrança havia sido implementada em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, mas gerou controvérsias dentro do governo, com alguns ministros defendendo seu fim.
Haddad explicou que a condição para a sanção da lei era a unanimidade na votação do Congresso, o que foi alcançado. No entanto, ele criticou a falta de defesa da proposta por parte de alguns atores políticos após sua aprovação. “Todo o Congresso Nacional votou a favor e a condição do presidente Lula sancionar era que fosse unânime, e foi unânime a votação no Congresso. Só que, depois que foi aprovado, nenhum desses atores defendeu a proposta”, afirmou.
O ex-ministro também destacou que o governo passou dois anos defendendo uma posição enquanto setores que apoiavam a proposta se omitiam do debate. Na visão de Haddad, o presidente voltou à sua posição original sobre o tema, ressaltando a responsabilidade de Lula em relação ao interesse público.
“A única pessoa que foi responsável, do ponto de vista do interesse público, foi o presidente da República aqui”, continuou Haddad. “Sendo contra, deu o braço a torcer na unanimidade dos governadores e congressistas, mas ficou sozinho, ficou isolado na defesa dessa proposta. E tomou a decisão que era sua posição original desde o começo.”
O ministro acredita que a retirada da taxa abrirá um novo debate sobre o assunto, uma vez que os responsáveis pela sua aprovação não se manifestaram adequadamente. Ele enfatizou que a unanimidade estabelecida entre o Legislativo, governadores e setores da indústria deve ser reconsiderada.
Fonte: infomoney.com.br