O Haiti, pequeno país caribenho, será o próximo adversário do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo, que ocorrerá na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, Estados Unidos. A seleção haitiana entrará em campo com um novo uniforme, sem referências à luta anticolonial, por exigência da FIFA. As relações entre Brasil e Haiti vão além do futebol, abrangendo cultura, acolhimento humanitário e ações de solidariedade.
No ranking da FIFA, Brasil e Haiti ocupam extremos opostos, com o Brasil em sexto lugar e o Haiti na última posição. Os Les Grenadiers, como é conhecida a seleção haitiana, retornam ao Mundial 50 anos após sua primeira participação, em 1974, em meio a uma grave crise política e humanitária, agravada por desastres naturais, como o terremoto de 2010.
Orgulhosos da trajetória nas eliminatórias, os Granadeiros acreditam que o futebol pode unir e ser motivo de celebração. “Estou sorrindo porque precisamos manter o pensamento positivo: podemos competir neste nível”, afirmou o meia Jean-Ricner Bellegarde, em entrevista à FIFA, após a estreia contra a Escócia, no último sábado (13). A seleção haitiana foi derrotada por 1 a 0, apesar de ter dominado a partida, mantendo a posse de bola por quase metade do jogo.
O encontro entre Brasil e Haiti simboliza também o futebol como um instrumento de paz. Durante anos, o Haiti foi um dos países onde a seleção brasileira conquistou muitos fãs, que coloriam as ruas de verde e amarelo a cada Copa. Em 2004, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil levou estrelas como Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho para um amistoso em Porto Príncipe, marcando o início de uma campanha de desarmamento no país, após intensos conflitos armados.
A situação política no Haiti é complexa. Desde a independência, a estabilidade no país tem sido afetada por interesses estrangeiros e elites locais. O professor de História Gabriel Léccas avalia que o Haiti é governado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, apoiado pelos Estados Unidos, e enfrenta a presença de grupos armados que controlam a capital. A revolução haitiana, que resultou na independência em 1804, ainda gera incômodo, a ponto de a FIFA vetar menções à revolta na camisa da seleção.
“A exigência da retirada da imagem, tanto pelo Comitê Olímpico Internacional quanto pela FIFA, está associada ao silenciamento da Revolução Haitiana que vem acontecendo há tempos”, explicou o historiador.
Apesar dos desafios, a seleção haitiana se destaca como um símbolo de resistência e esperança. Com a classificação histórica para esta edição da Copa, os haitianos endereçam sua torcida aos heróis nacionais, como o centroavante Duckens Nazon, artilheiro da equipe, que foi decisivo na classificação ao anotar três gols em uma única partida.
Desde o terremoto devastador de 2010, que vitimou 200 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados, o Brasil tem mantido laços de solidariedade com o Haiti. O país facilitou a entrada de haitianos em seu território e apoia a criação da Polícia Nacional do Haiti, através da formação de agentes. Durante a controvertida Missão das Nações Unidas, o Brasil enfrentou denúncias de violações de direitos humanos, mas continua a apoiar a reconstrução do país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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