Idade avançada eleva risco de mortalidade por câncer colorretal, aponta estudo

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O Brasil e o mundo enfrentam um cenário de crescente preocupação com a incidência de câncer colorretal, uma neoplasia que afeta o cólon e o reto. Estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para um aumento significativo de novos diagnósticos nos próximos anos, consolidando a doença como uma das mais prevalentes no país. Diante desse panorama, a compreensão dos fatores de risco e das abordagens de tratamento torna-se crucial para a saúde pública.

Um estudo recente, publicado no ANZ Journal of Surgery por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS) do Einstein Hospital Israelita, trouxe à tona um dado alarmante: a idade avançada é o principal fator de risco para a mortalidade após cirurgias de remoção de tumores colorretais. A pesquisa, que analisou dados de internações em hospitais públicos de São Paulo entre 2000 e 2023, revela que, conforme a faixa etária avança, a probabilidade de óbito pós-operatório aumenta de forma consistente, sublinhando a vulnerabilidade de pacientes mais velhos.

Aumento da incidência e fatores de risco comportamentais

A projeção do INCA para o período entre 2026 e 2028 indica que aproximadamente 53.810 pessoas desenvolverão câncer colorretal anualmente no Brasil, representando cerca de 10,4% de todos os novos diagnósticos de neoplasias. Essa tendência de crescimento é observada há pelo menos quatro décadas, não se restringindo apenas ao território brasileiro. Globalmente, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), registrou cerca de 1,9 milhão de casos de tumores colorretais em 2022, conforme estudo na Nature Medicine.

Embora a causa exata desse fenômeno ainda seja objeto de estudo, especialistas apontam para uma forte correlação com fatores comportamentais, em detrimento de aspectos puramente genéticos. O coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein, destaca que o sedentarismo e uma dieta rica em ultraprocessados, com alto teor de gordura animal e pobre em fibras, contribuem diretamente para o aumento da incidência da doença. Além disso, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool são reconhecidos como fatores de risco para essa e outras neoplasias. Para mais informações sobre a doença, consulte o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Idade e urgência: determinantes da mortalidade pós-cirúrgica

A análise dos dados de internações em São Paulo, realizada pelo CEPPS, revelou que a idade é um fator preponderante na probabilidade de óbito após a cirurgia para retirada de tumores no cólon e reto. Pacientes de faixas etárias mais avançadas demonstram um risco significativamente maior de complicações fatais. Este achado ressalta a importância de abordagens personalizadas e de um acompanhamento mais intensivo para esse grupo.

Outro ponto crítico identificado pela pesquisa é a diferença nos desfechos entre cirurgias de urgência e eletivas. Pacientes submetidos a intervenções emergenciais apresentam um risco de morte consideravelmente maior. Isso sugere que o diagnóstico tardio, que muitas vezes leva à necessidade de cirurgias em situações críticas, impacta negativamente o prognóstico. Fatores como o tempo de internação e a presença de comorbidades também influenciam o risco de mortalidade, indicando quadros clínicos mais complexos e maior gravidade em pacientes com hospitalizações prolongadas ou outras doenças associadas. A equipe de pesquisadores espera que esses dados possam, futuramente, auxiliar na alocação de recursos e na ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento em áreas vulneráveis.

Reconhecendo os sinais e o processo diagnóstico

O câncer colorretal é caracterizado pelo crescimento anormal de células no cólon, a maior parte do intestino grosso, e no reto, a câmara que conecta o final do intestino grosso ao ânus. A identificação precoce dos sintomas é fundamental para um tratamento eficaz. Os sinais típicos incluem sangramento retal persistente, alterações nos hábitos intestinais, sensação de evacuação incompleta, perda de peso inexplicável e dor abdominal que não cede a medicamentos comuns.

O Dr. Araujo aconselha que sintomas que persistam por mais de uma semana já merecem atenção médica. O diagnóstico é geralmente confirmado por meio de uma colonoscopia com biópsia, um procedimento que permite a visualização do interior do intestino grosso e a coleta de amostras de tecido. Posteriormente, o material é submetido a um exame anatomopatológico em laboratório, que determina a natureza (benigna ou maligna) e o estadiamento do tumor, ou seja, o grau de infiltração na parede intestinal e em regiões adjacentes.

Abordagens terapêuticas e avanços no tratamento

O tratamento do câncer de cólon é predominantemente cirúrgico, visando a remoção do tumor. Em casos muito iniciais, a retirada de pólipos malignos pode ser realizada endoscopicamente durante a colonoscopia. Dependendo das características do tumor identificadas no exame anatomopatológico, pode ser recomendada a quimioterapia adjuvante para eliminar células tumorais remanescentes e prevenir metástases. Para tumores com características biológicas específicas, a imunoterapia, uma abordagem que ativa o sistema imunológico do paciente, tem demonstrado resultados promissores, conforme relatado pelo Dr. Araujo no Einstein.

Quando o tumor está localizado no reto, o tratamento inicial frequentemente combina quimioterapia e radioterapia. Embora a cirurgia seja, na maioria das vezes, necessária após essa fase, cerca de 20% a 30% dos pacientes podem apresentar uma resposta completa ao tratamento, evitando a necessidade de intervenção cirúrgica. Em casos de metástase, o cuidado primário adota uma abordagem sistêmica, com foco na quimioterapia. A cirurgia robótica representa um avanço significativo, oferecendo maior precisão e uma recuperação pós-operatória mais rápida, o que permite aos pacientes retomar o tratamento oncológico mais cedo e aumentar as chances de cura.

Estratégias de prevenção e a importância do rastreamento

A prevenção do câncer colorretal abrange duas frentes principais: a adoção de um estilo de vida saudável e o diagnóstico precoce. Há fortes evidências de que fatores comportamentais influenciam o desenvolvimento da doença. Práticas como exercícios físicos regulares, uma alimentação equilibrada e rica em fibras, e uma boa ingestão de água são essenciais para a saúde intestinal.

O diagnóstico precoce, por sua vez, permite identificar lesões tumorais em estágios iniciais, facilitando o tratamento e ampliando as chances de cura. Os principais métodos de rastreamento incluem o teste de sangue oculto nas fezes, recomendado anualmente, e a colonoscopia, geralmente a cada dez anos. Para indivíduos sem histórico familiar da doença, o rastreamento deve começar aos 45 anos. No entanto, se houver um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer colorretal, a recomendação é iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado. Por exemplo, se o pai foi diagnosticado aos 50 anos, os filhos devem começar o rastreamento aos 40. A combinação dessas estratégias preventivas e de rastreamento é fundamental para reduzir a incidência da doença e otimizar os desfechos clínicos.

Fonte: metropoles.com

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