Embora a expectativa geral seja de que o fim do conflito resulte em alívio econômico, com a queda do preço do petróleo e a redução da inflação, especialistas alertam que a situação é mais complexa. As principais gestoras de investimento no Brasil estão adotando uma abordagem mais cautelosa, sugerindo que o acordo pode não ter um impacto tão significativo nos preços e que outros fatores devem ser considerados.
Essa é uma das expectativas que muitas gestoras descartam. A Kapitalo, por exemplo, acredita que o choque inflacionário gerado pela guerra e pela alta do petróleo já está consolidado e deve persistir, mesmo com a confirmação do acordo. Em declarações recentes, Bernardo Feijó, COO da gestora, afirmou que a janela para cortes de juros pelo Banco Central se fechou, e que suas estratégias não dependem de ações imediatas do BC.
Esse diagnóstico é compartilhado por outras grandes instituições financeiras. A Itaú Asset, por exemplo, observa que mesmo com a reabertura do estreito de Ormuz, as condições econômicas não retornarão ao que eram antes da guerra, e a desinflação no Brasil foi majoritariamente influenciada por fatores externos. A Genoa Capital também destaca que o impacto da energia ainda não se refletiu de forma significativa no IPCA, projetando uma inflação de 5,5% para 2026.
A recente queda do preço do petróleo, que passou de mais de US$ 100 para a faixa de US$ 80 a US$ 90, é vista com cautela. A Kapitalo acredita que a normalização dos fluxos no estreito levará tempo, mesmo após um acordo, o que pode sustentar os preços por um período prolongado.
Além disso, a produção na região do Golfo ainda está abaixo dos níveis pré-guerra. A Legacy Capital sugere que, em um cenário de esgotamento de estoques globais, o preço do barril pode voltar a subir. Assim, a aposta em petróleo continua sendo uma estratégia popular entre as gestoras, embora algumas tenham reduzido sua exposição após a queda recente.
A alta dos juros futuros nas últimas semanas trouxe os títulos atrelados à inflação para o centro das atenções. Os papéis do Tesouro estão oferecendo taxas reais acima de 8% ao ano em prazos mais curtos, um nível não visto desde o governo Dilma Rousseff. André Leite, diretor de investimentos da TAG Investimentos, recomenda as NTN-Bs mais curtas, que oferecem juros reais superiores a 8%, enquanto considera os prefixados como um risco maior no atual cenário.
A XP também recomenda papéis indexados ao IPCA, especialmente os de vencimentos curtos e intermediários, alertando contra a extensão excessiva dos prazos devido à volatilidade fiscal e eleitoral. O UBS também se mostra favorável a títulos de inflação com vencimentos até 2035.
A resposta depende do indexador e da taxa. Um levantamento da Quantum Finance revela que, em maio, os CDBs atrelados à inflação ganharam destaque, com taxas médias de até IPCA mais 8%. Robson Casagrande, sócio da GT Capital, explica que a incerteza com a inflação ligada ao petróleo faz com que os investidores prefiram papéis de inflação para garantir um juro real elevado.
No crédito privado, o foco deve ser na seletividade. Dados da Anbima mostram que os prêmios das debêntures estabilizaram após uma alta significativa, mas ainda estão próximos das máximas do ano. A XP recomenda priorizar emissores de alta qualidade.
A visão sobre o mercado de ações é divergente. A XP projeta que o Ibovespa pode alcançar 205 mil pontos até o final do ano, enquanto outras gestoras alertam para a saída de fluxo estrangeiro, que pode afetar negativamente o mercado. A TAG Capital destaca a inconsistência entre um mercado de crédito deteriorado e ações ainda bem avaliadas, sugerindo cautela.
Fonte: infomoney.com.br
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