Indicação de embaixador de Trump enfrenta impasse no Brasil

Indicação de embaixador de Trump enfrenta impasse no Brasil

O deputado estadual, indicado por Donald Trump (partido Republicano) para representar os Estados Unidos no Brasil, ainda não recebeu o agrément do governo brasileiro. Esta autorização formal é essencial para que um diplomata possa assumir o cargo. Sem esse aval, a missão não pode ser iniciada, e o processo de análise não possui um prazo definido, podendo se estender conforme a decisão do Palácio do Planalto.

Perez, filho de imigrantes cubanos e crítico de governos de esquerda na América Latina, foi anunciado por Trump em 1º de junho. Sua nomeação também precisa da aprovação do Senado norte-americano. Se confirmado, ele substituirá a embaixadora Elizabeth Bagley, que deixou o cargo em janeiro de 2025. Desde então, os EUA contam apenas com um encarregado de negócios no Brasil, o diplomata Gabriel Escobar.

Os Estados Unidos estiveram 17 meses sem embaixador no Brasil. Trump escolheu Perez durante as negociações do tarifaço, após visitas de Flávio Bolsonaro aos EUA, onde participou de uma audiência pública no Congresso norte-americano sobre o tema. A presença de um embaixador norte-americano no Brasil é considerada positiva por auxiliares de Lula, mas a indicação ocorre a poucos meses das eleições presidenciais de outubro.

Uma quebra de protocolo gerou desconforto no governo brasileiro. Normalmente, a consulta é feita em sigilo antes de qualquer anúncio público, e a indicação é divulgada apenas após a aprovação. No entanto, os EUA seguiram um caminho inverso, com o currículo de Perez e o pedido formal de agrément chegando ao Itamaraty apenas após o anúncio público. Para diplomatas brasileiros, o processo começou com tensões.

Cabe a cada país decidir quanto tempo levará para investigar o histórico do indicado, incluindo declarações contra autoridades ou instituições do país anfitrião. O Brasil pode, inclusive, optar por não responder. Um exemplo disso foi a indicação de Marcelo Crivella, que ficou sem resposta por quase seis meses, levando à retirada formal da indicação em novembro de 2021.

O tema tornou-se ainda mais sensível no governo Lula após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, criticar publicamente a política econômica brasileira após o anúncio do tarifaço.

Sabatina no Senado norte-americano

Enquanto aguarda o agrément brasileiro, Perez também precisa avançar no processo interno dos Estados Unidos. Ele foi sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano, etapa que antecede a aprovação do nome pelo plenário. Durante a sabatina, Perez afirmou que, se confirmado, defenderá “eleições livres e justas” no Brasil, além de apoiar as instituições democráticas e a liberdade de expressão. Ele destacou como prioridades a proteção de cidadãos norte-americanos, o avanço de interesses comerciais dos EUA, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional, e parcerias que beneficiem a economia e os trabalhadores norte-americanos.

A sabatina ocorreu no mesmo dia em que Brasil e EUA trocaram farpas publicamente, um dia após a implementação do tarifaço. O governo norte-americano defendeu a medida como retaliação a Lula, enquanto o Planalto classificou as tarifas como interferência indevida e considera aplicar reciprocidade.

Fonte: poder360.com.br

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