Jaques Wagner discute futuro no governo com aliados na Bahia

O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) se reuniu na Bahia com o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) para avaliar o cenário político após ser alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, na quinta-feira (18.jun.2026). O líder do Governo no Senado deve se encontrar nesta semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora ainda não haja uma data confirmada.

Wagner consultou aliados no Estado, que estão divididos entre apoiar sua permanência ou sugerir sua saída da liderança. Ambas as decisões são vistas como problemáticas:

  • se ficar – torna-se um alvo visível;
  • se sair – pode reforçar uma interpretação de culpa.

O congressista expressou confiança nas declarações feitas em entrevista à BandNews na quinta-feira (18.jun). Ele negou qualquer vínculo comercial com o Banco Master ou com a empresa Credcesta, que oferece cartão de crédito consignado para funcionários públicos e foi criada durante a gestão do PT na Bahia.

No entanto, Wagner admitiu ter negociado com o investidor Augusto Lima, ex-sócio do Master, um apartamento de R$ 2,5 milhões mencionado nas investigações. O imóvel está em construção no bairro Horto Florestal, em Salvador (BA), e Wagner sugeriu a Lima uma dinâmica de compra e recompra.

O congressista permanece na Bahia, sem previsão de retorno a Brasília.

Posição das bancadas

As bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado buscam neutralizar pedidos de deputados aliados pela saída de Wagner da liderança do governo. Representantes do partido defendem a presunção de inocência, a autonomia da PF e apoiam a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master.

O que disse Jaques Wagner

Em nota, a assessoria de Jaques Wagner afirmou que o apartamento mencionado “jamais integrou” o patrimônio do senador e que ele não atuou “em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira”.

Leia a nota na íntegra:

“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

“Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.”

“Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.”

Compliance Zero

As investigações sobre as fraudes no Banco Master estão no âmbito da operação Compliance Zero, autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase resultou na prisão provisória dos principais executivos ligados à instituição, que foi liquidada pelo Banco Central. Em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso foi transferido para o STF em dezembro de 2025, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a segunda fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em fevereiro. André Mendonça assumiu o caso, e Vorcaro foi preso novamente em março, entregando uma proposta de delação premiada que está em análise.

Eis as fases da operação:

  • 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes da operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil e a ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF.
  • 2ª fase (14.jan.2026) – A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro e apreendeu bens que superaram R$ 5,7 bilhões, visando apurar o uso de fundos fraudulentos.
  • 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso, com a PF alegando que ele tinha um grupo que intimidava adversários.

Fonte: poder360.com.br

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