A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) iniciou, no dia 2 de julho, a campanha Julho Verde, uma ação nacional voltada para a conscientização sobre a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de cabeça e pescoço. O evento, realizado no auditório da Clínica Escola Interprofissional em Saúde (Ceis), no campus de Maruípe, em Vitória, reuniu estudantes, professores e profissionais da saúde para discutir estratégias de assistência e reabilitação dos pacientes.
A campanha é promovida pelo Laboratório de Deglutição e Voz (LaDVox/Ufes), em parceria com a Liga Acadêmica de Fononcologia do Espírito Santo (Lafonco) e a Liga Acadêmica de Voz do Espírito Santo (Lavozes). Com o tema “Muito além do sintoma: prevenção, diagnóstico precoce e cuidado em cabeça e pescoço”, a iniciativa visa ampliar o acesso da população a informações sobre a doença e estimular o reconhecimento precoce dos sinais que podem indicar o câncer.
Durante o encontro, especialistas ressaltaram que o combate à doença depende de uma combinação entre prevenção, identificação dos primeiros sintomas e diagnóstico em tempo oportuno. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelos pacientes durante o tratamento, além da importância da universidade na formação de profissionais e na interação entre a produção científica e a sociedade.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura
A coordenadora do LaDVox e orientadora da Lafonco, Michelle Guimarães, enfatizou que um dos principais objetivos do Julho Verde é combater a desinformação e incentivar as pessoas a procurarem atendimento ao notarem os primeiros sinais da doença. “O Julho Verde é uma oportunidade para aproximar a Universidade da sociedade e mostrar que o câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido e diagnosticado precocemente. Quanto antes a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento”, destacou.
Segundo a professora, muitos convivem por semanas ou meses com sintomas persistentes sem buscar avaliação médica, o que resulta em diagnósticos em estágios avançados. “Sintomas como rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou feridas na boca que não cicatrizam são frequentemente ignorados. Nosso objetivo é incentivar as pessoas a reconhecer esses sinais e procurar atendimento rapidamente. Sintomas que persistem por mais de 15 dias devem ser investigados”, alertou.
Sinais de alerta
Conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra anualmente cerca de 39,5 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço, excluindo os tumores de pele. A doença pode afetar estruturas como boca, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face, glândulas salivares e tireoide.
Os principais sintomas que requerem atenção incluem:
- Rouquidão persistente;
- Dificuldade para engolir;
- Feridas na boca que não cicatrizam;
- Nódulos no pescoço;
- Perda de peso sem causa aparente.
Os especialistas alertam que qualquer um desses sintomas com duração superior a 15 dias deve ser investigado por um profissional de saúde.
Fatores de risco
Os debates também abordaram os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, infecção pelo HPV — especialmente em casos de câncer de orofaringe —, exposição solar sem proteção, má higiene bucal e alimentação inadequada. A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico são essenciais para aumentar as chances de diagnóstico precoce.
Papel da Fonoaudiologia
A campanha também busca ampliar o conhecimento sobre a atuação da Fonoaudiologia no tratamento de pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Michelle Guimarães explicou que, dependendo da localização do tumor e do tratamento, funções como fala, voz e deglutição podem ser comprometidas, tornando o acompanhamento fonoaudiológico fundamental.
“A atuação do fonoaudiólogo vai além da reabilitação. Participamos da prevenção, acompanhamos o paciente durante todo o processo terapêutico e atuamos na recuperação de funções essenciais. Esse cuidado impacta diretamente na qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.
O Laboratório de Deglutição e Voz, vinculado ao Departamento de Fonoaudiologia da Ufes, desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão focadas na comunicação e deglutição. A programação do Julho Verde continuará ao longo do mês, com novas ações de conscientização que serão divulgadas nas redes sociais da Lafonco/Ufes.
Fonte: eshoje.com.br