O mercado de capitais se prepara para um importante leilão rodoviário, agendado para o dia 23 de julho, que envolve a concessão da rodovia Régis Bittencourt. Este leilão é considerado um dos últimos grandes ativos federais a serem licitados em 2026.
A concessão abrange a venda de 100% da Autopista Régis Bittencourt, atualmente sob controle da Arteris, e a companhia vencedora será aquela que oferecer o maior desconto na tarifa de pedágio. Com 383 quilômetros na BR-116, a rodovia conecta São Paulo (SP) a Curitiba (PR) e o novo contrato de 15 anos prevê investimentos de R$ 7,2 bilhões, que incluem 69 km de duplicação, novas vias marginais e manutenção.
Estratégia da Motiva
A relevância logística do trecho deve assegurar uma competição acirrada entre as principais empresas do setor. Analistas do Bradesco BBI destacaram a rentabilidade projetada para o negócio, o que impacta positivamente as expectativas de valorização das companhias.
O relatório do BBI estima que o projeto pode gerar retornos entre 15% e 20%, considerando a Taxa Interna de Retorno (TIR) real alavancada. Essa TIR é baseada em um desconto tarifário estimado de 17% e eficiências operacionais de 15% nas despesas.
Por outro lado, o BTG Pactual aponta que a TIR inicial calculada pelo governo é de 11,41%. O banco ressalta que a licitação por desconto tarifário, sem outorga antecipada, alivia o balanço dos licitantes e se alinha com os planos da Motiva.
A companhia, que recentemente vendeu ativos em aeroportos e ferrovias, acumula capital para focar em rodovias premium, onde suas margens superam a média do mercado.
Estrutura do leilão
O leilão adota uma estrutura de M&A privados, onde o vencedor assume a Sociedade de Propósito Espacial (SPE) da concessão e herda sua dívida líquida atual. O Bradesco BBI considera que essa estrutura oferece facilidades importantes para precificação, mas exige cautela dos investidores.
O relatório destaca que existem características estruturais que devem fomentar a competição, como a importância da rodovia para o Brasil e a alta indexação pela inflação. Entretanto, desafios operacionais, como a baixa transparência sobre passivos acumulados, podem afetar a visibilidade das ações.
Competição sem agressividade
Os altos juros no Brasil e o consumo de caixa elevado em leilões anteriores devem conter lances muito agressivos. A Arteris, por exemplo, enfrenta restrições de capital que limitam seu apetite para defender o ativo.
Apesar disso, o BTG Pactual indica que o leilão pode atrair interesse, dado o potencial de rentabilidade e a localização estratégica da rodovia, essencial para o agronegócio até o Porto de Paranaguá.
Fonte: infomoney.com.br