E32 impulsiona etanol e favorece São Martinho, mas desafios permanecem

Imagem gerada com IA

De acordo com relatórios de instituições financeiras como Morgan Stanley e Bradesco BBI, essa alteração, válida inicialmente por 180 dias a partir de agosto, reforça a estratégia do governo de aumentar o uso de biocombustíveis, reduzir importações de gasolina e avançar na descarbonização do programa Combustível do Futuro.

O Morgan Stanley estima que a nova mistura pode gerar uma demanda adicional de aproximadamente 800 a 900 milhões de litros de etanol por ano, o que representa cerca de 2,5% em relação ao consumo anterior. Esse aumento ajudaria a absorver os estoques elevados e estabilizar os preços do etanol, que atualmente estão cerca de 15% abaixo dos níveis do ano passado.

Os analistas destacam que, embora o aumento da demanda contribua para normalizar os estoques e estabilizar as margens ao longo do segundo semestre, seu impacto é considerado modesto diante da recente expansão da oferta de etanol.

Desafios persistem no mercado

O Bradesco BBI, por sua vez, aponta que a nova mistura poderia acrescentar cerca de 1,1 bilhão de litros de demanda por etanol anidro em um período de 12 meses. Entretanto, a produção de etanol deve crescer de forma mais acentuada, com projeções indicando um aumento de cerca de 4,6 bilhões de litros na produção total na safra 2026/27, impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho.

Assim, mesmo com o E32, o mercado ainda precisaria absorver cerca de 3,9 bilhões de litros adicionais de etanol. Os analistas do Bradesco BBI afirmam que a oferta continuará superando a demanda, o que exigirá preços mais competitivos nas bombas para estimular o consumo de etanol hidratado.

Além disso, a paridade do etanol em relação à gasolina no estado de São Paulo já está próxima de mínimas históricas, em torno de 59%, indicando que o etanol se apresenta como uma opção relativamente barata em comparação à gasolina. Os preços do etanol também estão negociando com um desconto de cerca de 14% em relação ao açúcar, o que pode limitar uma recuperação mais significativa das cotações do adoçante nos mercados internacionais.

Próximos passos e perspectivas

O Morgan Stanley destaca que o governo já está avaliando aumentos adicionais da mistura obrigatória, como a adoção do E35, que elevaria para 35% a participação do etanol na gasolina. Essa perspectiva reforça a aposta do governo na expansão estrutural do consumo de biocombustíveis e na redução da dependência de combustíveis fósseis importados.

Para o setor sucroenergético, embora o E32 represente um impulso relevante para a demanda, a forte expansão do etanol de milho continua sendo o principal fator que molda o equilíbrio do mercado, mantendo as perspectivas para os produtores de açúcar e etanol desafiadoras ao longo da safra 2026/27.

Fonte: infomoney.com.br

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