O deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme Dark Horse, se manifestou nesta quinta-feira, 14, sobre as recentes controvérsias envolvendo o financiamento da produção. Após o site Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro, banqueiro preso em um escândalo de corrupção, Frias afirmou que não há contradições nas versões apresentadas.
Flávio Bolsonaro confirmou a negociação, mas se eximiu de qualquer ilegalidade. Em resposta, tanto a produtora GO UP Entertainment quanto Mário Frias negaram que qualquer quantia de Vorcaro tenha sido utilizada no projeto. “Quando afirmei que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico”, explicou Frias.
Esclarecimentos sobre o financiamento do filme
Frias reiterou que o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro não têm participação na produção, limitando-se a autorizar o uso dos direitos de imagem da família. Ele enfatizou que todos os recursos captados foram exclusivamente para a produção de Dark Horse, sem envolvimento de dinheiro público.
A produtora GO UP Entertainment também se manifestou, afirmando que a legislação americana proíbe a divulgação da identidade de investidores sob acordos de confidencialidade. No entanto, garantiu que não há qualquer investimento de Vorcaro ou de empresas associadas a ele.
Investigações e ligações suspeitas
A Entre, empresa mencionada por Frias, é alvo de investigações que a ligam a Vorcaro. A Polícia Federal suspeita que ele atuava como um “dono oculto” da Entrepay, liquidada pelo Banco Central. Documentos indicam que a Entre recebeu pagamentos significativos do Banco Master, levantando questionamentos sobre a real origem dos fundos.
Conversas entre Vorcaro e Fabiano Zettel, divulgadas pelo Intercept, sugerem que pagamentos estavam sendo feitos através da Entre, complicando ainda mais a situação. O fundo Havengate Development Fund LP, que recebeu parte dos recursos, também está sob análise.
Notas e declarações dos envolvidos
As notas divulgadas por Frias e pela GO UP Entertainment visam desassociar a produção do filme de qualquer escândalo. A primeira nota de Frias enfatizava a legitimidade da relação com investidores e a ausência de recursos públicos. Em sua segunda nota, ele reiterou que não há contradições, mas diferenças de interpretação sobre a origem dos investimentos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, defendeu a instalação de uma CPI do Banco Master, afirmando que a busca por patrocínio foi feita de maneira privada e sem irregularidades. Ele criticou as comparações com o governo anterior e reafirmou que não houve troca de favores.
Conclusão e repercussão
A polêmica em torno do financiamento de Dark Horse levanta questões sobre a transparência nas relações entre política e cinema no Brasil. Enquanto os envolvidos tentam se distanciar de quaisquer implicações ilegais, a situação continua a gerar debates e investigações sobre a origem dos recursos e a real natureza das relações entre os protagonistas do caso.
Com a produção marcada para ser lançada nos próximos meses, a expectativa é que os desdobramentos dessa situação influenciem a recepção do filme pelo público e pela crítica.
Fonte: folhavitoria.com.br