A prorrogação da votação em todo o país, determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, causou uma série de confusões nas seções eleitorais. A decisão, que foi anunciada após as 17h, surpreendeu mesários e presidentes de seção, muitos dos quais já haviam encerrado a votação e contabilizado os votos.
De acordo com relatos de mesários, algumas urnas já estavam fechadas e os boletins de urna impressos. Em várias localidades, os dispositivos de votação já haviam sido enviados de volta ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado. Esta prorrogação é considerada inédita no Brasil, levantando questões sobre sua implementação e os procedimentos a serem seguidos.
Diretrizes confusas e urnas já apuradas
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e Zanin esclareceram que a extensão do horário se aplicaria apenas às seções onde a votação ainda não havia sido finalizada. No entanto, a página de resultados do TSE já mostrava urnas apuradas em diversas regiões do país, com uma pequena porcentagem de votos contabilizados. Estados como Amazonas e Rondônia apresentavam percentuais baixos de apuração, o que complicava ainda mais a situação.
A reportagem buscou esclarecimentos junto à corte eleitoral para entender como os eleitores que não votaram até às 17h poderiam participar, uma vez que, após o fechamento das urnas, não há como adicionar novos votos. Até o final da tarde, a corte não havia fornecido informações claras sobre o assunto.
Desorientação entre mesários e seções eleitorais
Em São Paulo, mesários relataram que algumas urnas já haviam sido apuradas e que todos foram dispensados, pois não era possível reabrir a votação com os mesmos dispositivos. Em outros locais, como na zona sul da capital, mesários afirmaram que alguns dispositivos já haviam sido enviados ao TRE, mesmo após a divulgação da prorrogação.
Em uma seção em Pinheiros, mesários expressaram sua confusão após a prorrogação, já que não receberam orientações claras sobre como proceder. A notícia da extensão do pleito chegou logo após o fechamento das urnas, gerando incerteza e desorientação entre os mesários, que foram mantidos no local aguardando instruções.
Impactos em outras regiões do Brasil
No Rio de Janeiro, a Escola Municipal Albert Schweitzer permaneceu aberta, mas as seções já haviam encerrado a votação antes da decisão de Zanin. Em Brasília, algumas seções foram parcialmente reabertas, mas o sistema impediu o uso das urnas que já estavam fechadas. Em Salvador, mesmo com a prorrogação, muitas urnas foram encerradas pontualmente às 17h.
Na Faculdade de Administração da UFBA, mesários e fiscais discutiam sobre o que fazer, já que todas as urnas estavam lacradas. Fiscais de diferentes partidos pressionavam por uma reabertura, mas a falta de urnas disponíveis complicava a situação. Após uma hora de impasse, os mesários foram instruídos a permanecer no local até às 19h e registrar em ata os eleitores que não conseguiram votar.
Decisões do tribunal e precedentes históricos
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul informou que não seria possível reabrir as urnas que já estavam fechadas, mantendo apenas aquelas que ainda estavam operando no momento da decisão. No Paraná, a situação era semelhante, com a maioria dos locais já encerrando as votações. Em um contexto histórico, em 2022, o TSE já havia enfrentado uma situação semelhante, quando decidiu não prorrogar o horário de votação, mesmo diante de dificuldades de locomoção de eleitores.
Naquela ocasião, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, afirmou que todos os eleitores chegaram a tempo para votar, tornando desnecessária a ampliação do prazo. A nova decisão de prorrogação levanta questões sobre a eficácia e a clareza das diretrizes eleitorais em momentos críticos.
Fonte: eshoje.com.br