A pesquisa, que envolveu 1.719 crianças e adolescentes de 22 centros ao redor do mundo, incluindo a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), destacou que a inflamação da pele, conhecida como eczema, afetou 9% dos participantes, principalmente nas áreas de aplicação dos dispositivos.
Cerca de 95% dos indivíduos avaliados na pesquisa tinham diabetes tipo 1, a forma mais comum da doença na infância e adolescência. Essa condição exige monitoramento constante e tratamento contínuo com insulina, uma vez que o organismo não produz o hormônio necessário para controlar a glicose no sangue. Embora o diabetes tipo 2 esteja em ascensão devido a fatores como obesidade e sedentarismo, o tipo 1 continua a ser predominante nessa faixa etária.
A endocrinologista pediátrica Mariana Zorron, do Hospital de Clínicas da Unicamp, ressalta que dispositivos como sensores de glicose e bombas de insulina são essenciais para um controle glicêmico mais eficaz, reduzindo o risco de hipoglicemias e melhorando a qualidade de vida. No entanto, a indicação desses dispositivos deve ser individualizada, considerando fatores como idade e suporte familiar.
Apesar dos benefícios, o uso de bombas de insulina e sensores de glicose pode resultar em lesões cutâneas. O estudo revelou que usuários de bombas apresentaram mais cicatrizes, feridas e lipodistrofias, que são alterações no tecido adiposo sob a pele. Crianças com xerose cutânea e queratose pilar também mostraram um risco aumentado de complicações dermatológicas.
A endocrinologista Lindiane Gomes Crisostomo, do Einstein Hospital Israelita, explica que a insulina, ao ser injetada, pode causar inflamação devido ao seu pH diferente do da pele. Além disso, a pele seca e com queratose pilar é mais suscetível a lesões. Embora a maioria das lesões seja reversível, elas podem impactar a eficácia do tratamento, comprometendo a adesão ao uso dos dispositivos.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a desigualdade no acesso a essas tecnologias no Brasil. Embora os sensores de glicose estejam sendo incorporados em alguns serviços públicos, as bombas de insulina geralmente dependem de judicialização ou programas específicos para serem acessadas. Essa disparidade pode afetar a qualidade do tratamento recebido por crianças e adolescentes com diabetes.
Embora as lesões cutâneas não levem, em geral, à interrupção do uso dos dispositivos, é importante que os pacientes adotem medidas de cuidado. Estratégias como hidratação intensa, rodízio dos locais de aplicação e uso de barreiras protetoras são recomendadas. Sinais de alerta incluem vermelhidão persistente, coceira intensa e secreção, e a orientação é procurar assistência médica em caso de lesões.
Fonte: cnnbrasil.com.br
PUBLICIDADE