Técnica relata falhas em equipamentos durante socorro a adolescente em voo

Técnica de enfermagem relata falhas em equipamentos usados no socorro a adolescente que morreu em voo de Vitória para SP

Uma profissional de saúde que auxiliou no atendimento a um adolescente de 13 anos a bordo de uma aeronave apontou falhas nos dispositivos de emergência disponíveis durante a viagem que partiu de Vitória com destino a Guarulhos.

Socorro a bordo e problemas técnicos Daniele Valério estava no voo realizando uma conexão e se apresentou para ajudar após apelos por um médico na metade do trajeto. Ela conversou com a mãe do jovem, que informou sobre a condição cardíaca pré-existente do garoto, e iniciou as manobras ao notar a piora do quadro.

“Ele estava com 41, 42 batimentos por minuto, se eu não me engano, mas ele foi perdendo a consciência, ficando um pouco roxo, e aí a gente teve que iniciar as manobras de ressucitação”, relatou.

A profissional indicou que o reanimador manual apresentou defeitos recorrentes de encaixe e inflação.

“Ele estava com problema. O Ambu estava desencaixando a todo momento. A sacolinha que fica debaixo do Ambu não inflava”, afirmou.

Além disso, o suporte de oxigênio fornecia apenas quatro litros por minuto, fluxo avaliado como insuficiente para quadros graves.

“Só liberava 4 litros por minuto. Isso não é suficiente para uma emergência. Isso é para quando algum paciente apresenta um desconforto leve e não para uma parada cardíaca.

Devido aos percalços, outra médica presente na aeronave executou a respiração boca a boca.

Questionamentos e atendimento em terra Parentes do jovem também questionaram a estrutura prestada pela empresa de aviação e pelo terminal aeroportuário, apontando ainda lentidão na chegada do socorro médico após o pouso antecipado.

“Foi uma coisa muito chata. Um aeroporto gigantesco, o maior da América Latina, não tem uma ambulância de prontidão”, declarou o padrinho Leandro Mezadre.

“Eu não sei se a ambulância parou em outro lugar, mas ela demorou a chegar ao avião”, acrescentou a técnica de enfermagem.

“Se tivesse o oxigênio adequado, talvez tivesse salvado a vida dele”, pontuou o familiar.

Posicionamentos oficiais Em nota, a empresa aérea declarou que “todos os protocolos para este tipo de situação foram seguidos e o passageiro foi encaminhado em ambulância para hospital em Guarulhos”. A concessionária responsável pelo aeroporto afirmou que “a equipe de resposta a emergência da GRU Airport foi acionada e, seguindo os protocolos de segurança, prestou os primeiros socorros e encaminhou o passageiro ao hospital mais próximo”. A agência reguladora do setor não se manifestou até o fechamento da reportagem.

Fonte: G1 Geral

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