Inflação no Brasil: A inflação brasileira encerrou 2025 dentro do intervalo de tolerância da meta, impulsionada principalmente por fatores externos favoráveis, como a valorização do câmbio e a queda do petróleo. Contudo, um estudo do Banco Daycoval alerta para uma mudança de dinâmica em 2026, onde a desaceleração da atividade econômica será o principal motor da desinflação, exigindo a manutenção de uma política monetária restritiva.
O IPCA fechou 2025 em 4,26%, dentro da meta, mas distante do centro de 3%.Alívio em 2025 veio da inflação importada (-0,88 ponto percentual), por câmbio e queda do petróleo.Para 2026, a desaceleração da atividade econômica será a principal força para a desinflação, com IPCA projetado em 4,1%.
IPCA em 2025: Alívio Externo Máscara Pressões Internas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano de 2025 em 4,26%, resultado que, segundo um levantamento do Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval, ficou abaixo da expectativa inicial de 5% e dentro do teto de tolerância da meta, de 4,5%.
Apesar do resultado, o índice permaneceu distante do centro da meta, fixado em 3%. A decomposição do índice aponta que o desvio de 1,26 ponto percentual em relação ao centro da meta foi impulsionado principalmente pela inércia inflacionária (1,10 pp), expectativas desancoradas (0,68 pp) e atividade econômica aquecida (0,52 pp). Na direção oposta, a inflação importada teve um papel decisivo de alívio, com contribuição negativa de 0,88 ponto percentual, favorecida pela apreciação do câmbio e pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
A Virada de 2026: Desaceleração da Economia como Freio da Inflação
Para 2026, o DPEc projeta um IPCA de 4,1%, indicando uma mudança relevante na dinâmica inflacionária. A expectativa é que o enfraquecimento da atividade econômica, com a abertura do hiato do produto, passe a contribuir para a desinflação. Este padrão não é novo; a análise histórica reforça que a convergência da inflação para a meta no Brasil tem sido, em grande parte, associada a períodos de atividade econômica mais fraca, com a desinflação ocorrendo mais pela desaceleração da demanda.
Em contrapartida, componentes como a inércia e as expectativas inflacionárias ainda devem atuar no sentido de pressionar os preços, mostrando que os desafios persistem apesar da nova dinâmica.
Desafios Constantes: Política Monetária Restritiva Essencial
Na avaliação dos economistas do Daycoval, Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi, o cenário reforça que o controle da inflação segue condicionado a um ambiente de política monetária restritiva e a uma desaceleração mais clara da economia. Este estudo faz parte da série Macro em Pauta, publicada em janeiro de 2026.
Sem esse ajuste macroeconômico, mesmo com eventual ajuda do cenário externo, a inflação tende a permanecer acima do centro da meta, mantendo desafios relevantes para a condução da política monetária no país.
Perguntas Frequentes
P: Qual foi o principal fator que ajudou a inflação a ficar dentro da meta em 2025?
R: O principal fator foi o alívio da inflação importada, impulsionado pela apreciação do câmbio e a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que compensaram as pressões domésticas.
P: O que se espera para a dinâmica da inflação em 2026 no Brasil?
R: Para 2026, a expectativa é que a desaceleração da atividade econômica seja o motor principal da desinflação, com o enfraquecimento da demanda contribuindo para a redução dos preços, enquanto inércia e expectativas ainda podem gerar pressão.
Fonte: https://bmcnews.com.br