O cenário de otimismo foi alimentado por uma sinalização do Irã, indicando a possibilidade de suspender restrições ao tráfego no estratégico Estreito de Ormuz. Tal medida poderia abrir caminho para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, aliviando tensões geopolíticas que vinham impactando os mercados financeiros.
A queda nas taxas foi observada de forma consistente em todos os vencimentos dos títulos prefixados. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, registrou uma redução para 13,26%, partindo de 13,35% no fechamento da segunda-feira anterior. Da mesma forma, o Tesouro Prefixado 2032 recuou para 13,43%, ante 13,49%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi negociado a 13,54%, uma baixa em relação aos 13,58% anteriores.
Nos títulos atrelados à inflação, o movimento de fechamento também foi disseminado. O Tesouro IPCA+ 2040 caiu para 7,00%, de 7,03%, e o IPCA+ 2045 com juros semestrais recuou para 7,02%, vindo de 7,06%. O Tesouro IPCA+ 2050 foi negociado a 6,78%, ante 6,79%, e o IPCA+ 2060 com juros semestrais caiu para 6,92%, de 6,94%. No trecho intermediário da curva, o IPCA+ 2032 apresentou recuo para 7,49%, comparado a 7,54%.
O principal motor por trás da recente movimentação no mercado de títulos é o alívio das tensões geopolíticas. A sinalização iraniana sobre o Estreito de Ormuz contribuiu para reduzir o prêmio de risco que estava embutido na curva de juros desde o fim de semana, período em que o fracasso de negociações anteriores havia gerado pressão sobre os ativos domésticos. Este cenário permitiu que o Ibovespa abrisse renovando um recorde histórico, atingindo 199 mil pontos. Simultaneamente, o dólar renovou mínimas, operando abaixo dos R$ 5, um patamar que é percebido como positivo para o risco Brasil e que auxilia na compressão dos prêmios ao longo de toda a estrutura a termo.
No âmbito doméstico, dados recentes da Pesquisa Mensal de Serviços de fevereiro reforçaram a percepção de desaceleração da atividade econômica. O setor de serviços registrou um avanço de apenas 0,1% no mês, um resultado que ficou aquém da mediana de mercado, que projetava um crescimento de 0,5%. A média móvel de três meses para o setor recuou, indicando estabilidade.
Economistas avaliam que este resultado corrobora uma tendência de moderação que vem se consolidando desde a segunda metade de 2025. A perda de fôlego do setor de serviços, com um crescimento abaixo do esperado em fevereiro, alinha-se a um cenário que antecipa um crescimento mais modesto para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, com projeções de +1,5%.
Para a curva de juros, uma atividade econômica mais fraca tende a fortalecer a expectativa de que o Banco Central mantenha seu ciclo de afrouxamento monetário. Este argumento, por sua vez, reforça o movimento de fechamento das taxas observado no mercado de títulos públicos, à medida que a perspectiva de juros mais baixos no futuro se consolida.
Fonte: infomoney.com.br
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