EUA buscam divulgar rapidamente acordo com o Irã, apesar de ambiguidades no texto

Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

As autoridades caracterizaram o texto do acordo como incrivelmente vago, com o objetivo principal de criar um ambiente mais favorável para as negociações presenciais, que serão altamente técnicas. A estrutura do acordo visa permitir que o Irã o apresente politicamente ao seu público interno.

Além disso, as autoridades informaram que o memorando de entendimento, que o vice-presidente americano, JD Vance, descreveu como tendo uma página e meia, não reflete compromissos significativos assumidos pelo Irã em conversas informais com os EUA, os quais, segundo elas, aumentaram a confiança do país para assinar o acordo.

“As pessoas não devem dar muita importância à linguagem do memorando de entendimento”, afirmou um funcionário, descrevendo o acordo como um “documento político”.

“O que é mais importante do que o documento em si são os entendimentos que temos uns com os outros. É por isso que é crucial finalizá-lo, para que possamos criar o ambiente necessário para discutir todos esses assuntos, pois basicamente diz que vamos suspender as sanções, chegar a um acordo sobre o programa nuclear e descongelar os fundos”, acrescentou o mesmo funcionário.

“Mas vamos suspender as sanções quando, você sabe, com base no progresso. Vamos liberar os fundos assim que tivermos concordado com os mecanismos para isso”, completou.

Acordo e suas implicações

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo que encerrará o bloqueio dos portos iranianos pelos EUA, reabrindo o Estreito de Ormuz e iniciando 60 dias de negociações sobre questões nucleares.

O texto do memorando de entendimento entre os dois países será divulgado publicamente. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que isso ocorrerá “muito em breve”, provavelmente após uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira (19).

Um alto funcionário do governo Trump também indicou que o documento deve ser publicado nas próximas 24 a 48 horas.

Reabertura do Estreito de Ormuz

Os EUA afirmaram que o estreito será reaberto após a assinatura do acordo, com Trump declarando que a passagem pela via marítima será “permanentemente livre de pedágios”.

No entanto, agências de notícias iranianas semioficiais relataram que, embora Teerã permita o trânsito gratuito durante os 60 dias de novas negociações, pretende cobrar taxas após esse período.

A agência Fars News afirmou que o Irã “pretende obter benefícios financeiros do tráfego comercial de navios pelo Estreito de Ormuz”.

Cessar-fogo e segurança regional

O Paquistão, que mediou o acordo, declarou que ambos os lados “anunciaram o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

No entanto, o acordo não inclui uma exigência para que Israel se retire do Líbano, conforme afirmado por um alto funcionário dos EUA. Israel, que não é parte do acordo, reiterou que suas forças não deixarão o território libanês.

Os EUA manterão sua atual presença militar no Oriente Médio durante as negociações técnicas entre EUA e Irã, com uma redução planejada caso um acordo final seja alcançado.

Questões nucleares e sanções

Os EUA afirmaram que o Irã forneceu garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear. Contudo, não há compromissos concretos sobre o programa nuclear iraniano nem sobre seus estoques de urânio, sendo essas questões deixadas para negociações futuras.

O Irã afirmou que as negociações nucleares de 60 dias só começarão após a liberação dos bilhões de dólares em fundos congelados pelos EUA.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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