O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, está sob investigação da Polícia Federal por ter atuado em favor do Banco Master em ao menos três frentes. As ações do parlamentar foram reveladas durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que resultou em buscas em endereços associados a Wagner.
A investigação aponta que Wagner se envolveu em propostas para ampliar o crédito consignado, aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e acompanhar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Tais medidas, segundo a PF, eram estratégicas para as fraudes lideradas por Daniel Vorcaro.
A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a apreensão de 49 mil dólares em um imóvel ligado ao senador. O espaço permanece aberto para qualquer declaração.
Atuação em favor do crédito consignado
A primeira frente de atuação de Wagner envolveu a ampliação do crédito consignado. A PF afirma que o senador trabalhou para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS. Essa articulação resultou na apresentação de uma emenda que foi incorporada à legislação, ampliando o acesso a essa modalidade de crédito.
Essa pauta estava diretamente ligada aos negócios de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, que implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos na Bahia, posteriormente incorporado ao Banco Master.
Discussões sobre o Fundo Garantidor de Créditos
A segunda frente de investigação envolve discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ampliação da cobertura do fundo, que não se concretizou, era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia do FGC para captar recursos no mercado. A PF já havia identificado que o senador Ciro Nogueira também recebeu emenda nesse sentido.
Acompanhamento da venda do Banco Master
Na terceira frente, a PF investiga a atuação de Wagner em relação à tentativa de venda do Banco Master ao BRB. O senador acompanhou de perto essa operação, considerada estratégica, que foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central.
Indícios de propina e favorecimento
Diálogos extraídos do celular de Augusto Lima revelam que ele emprestou seu avião particular para Wagner e também pagou ingressos para um show em Los Angeles. A PF alega que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina, incluindo a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para empresas de familiares do senador.
Fonte: folhavitoria.com.br