Governo brasileiro se prepara para enfrentar riscos de quebra de safra devido ao El Niño

Governo brasileiro se prepara para enfrentar riscos de quebra de safra devido ao El Niño

O governo federal está em alerta diante dos riscos de quebra das safras de arroz e milho, atribuídos ao fenômeno climático El Niño. Em uma reunião realizada no Palácio do Planalto, o presidente Lula e seus ministros discutiram as medidas necessárias para mitigar os impactos dessa situação, incluindo o acionamento de usinas termelétricas para compensar a possível redução na produção de energia das hidrelétricas.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou um custo estimado em R$ 1,3 bilhão para as ações planejadas. O El Niño, caracterizado pelo aumento da temperatura da água no oceano Pacífico, pode provocar alterações significativas nos padrões de chuvas, com previsões de elevação superior a 2 graus, o que é considerado um evento muito forte por especialistas.

“Estamos preparados para enfrentar uma situação grave. Se não ocorrer, ao menos teremos nos preparado para o pior”, afirmou Lula durante a reunião. A expectativa é de que o fenômeno cause secas ou atrasos nas chuvas nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto o Sul pode enfrentar enchentes e deslizamentos devido ao excesso de chuvas.

O governo projeta uma escassez de água nos reservatórios, o que pode impactar a geração de energia das hidrelétricas, como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte. Isso exigirá um aumento na produção de energia térmica, com medidas para garantir o fornecimento de combustível necessário. “A queda na geração de energia hidrelétrica exige que acionemos as termelétricas, e precisamos garantir o diesel para isso”, explicou Miriam Belchior.

Além do risco de quebra das safras, o governo planeja aumentar os estoques de arroz e milho, com a aquisição de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, totalizando um custo de aproximadamente R$ 850 milhões. A distribuição de 160 mil cestas básicas, já previstas, será antecipada, e haverá a expansão de mais 350 mil kits de alimentos para atender comunidades vulneráveis, como povos indígenas e quilombolas.

“Estamos antecipando a distribuição para facilitar o atendimento em caso de problemas. Não podemos esperar que tudo esteja centralizado e ter que transportar de avião, por exemplo”, destacou a ministra. O custo para as novas cestas básicas será de R$ 65 milhões.

As demais ações que compõem os R$ 1,3 bilhão previstos incluem:

  • Prevenção e combate a incêndios: R$ 337 milhões;
  • Medidas de saúde pública: R$ 45 milhões;
  • Monitoramento do nível dos rios: R$ 25 milhões;
  • Aquisição de alimentos de agricultores: R$ 13 milhões.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – CAIO SPECHOTO E MARIANA BRASIL

Fonte: eshoje.com.br

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