O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), anunciou nesta sexta-feira (7 de agosto de 2026) sua intenção de enviar ao Congresso um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, logo no primeiro dia de seu governo. A proposta, segundo ele, visa “pacificar o país” e retirar o tema do debate político.
A declaração foi feita durante uma sabatina promovida pela GloboNews e pelo g1. Caiado ressaltou que a anistia será parte de um conjunto de iniciativas que pretende encaminhar ao Legislativo imediatamente após assumir a Presidência.
“Essa medida [anistia] não estará sozinha, estará junto a dezenas de medidas que tomarei, como várias reformas que trarei no meu primeiro dia. Essa medida tem o sentido de pacificar o país. Nós não podemos mais conviver com o que estamos vivendo”, afirmou.
De acordo com o ex-governador de Goiás, a concessão da anistia permitiria ao governo e ao Congresso concentrar as discussões em outros temas. “Eu tenho a consciência de que, no momento em que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta e vamos viver um outro momento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas”, declarou.
Além da anistia, Caiado mencionou que pretende apresentar propostas de reformas administrativa e política, mudanças na reforma tributária e uma revisão de pontos da Previdência logo no início de seu governo.
Tentativa de golpe e suas implicações
Questionado sobre a caracterização dos atos de 8 de Janeiro como uma tentativa de golpe de Estado, Caiado não respondeu diretamente. Ele fez uma comparação com a anulação das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que possibilitou ao petista voltar a disputar eleições.
“Essa discussão da tentativa de golpe é a mesma que eu teria se realmente teve uma tentativa de golpe ao soltar o Lula. Teve uma tentativa de golpe em 8 de Janeiro? O Lula poderia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras de assalto a tanto dinheiro?”, indagou.
Caiado afirmou que a anistia marcaria o encerramento desse período, e que novos atos de depredação seriam tratados de forma diferente em seu eventual governo. “Caiado no governo, a partir dali, as pessoas vão saber que não têm espaço para esse tipo de ação”, disse.
Ele também citou episódios anteriores de depredação em Brasília e mencionou manifestações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), argumentando que houve diferenças na resposta do Estado a diferentes protestos.
Propostas para segurança pública
Durante a sabatina, Caiado revelou sua intenção de criar uma força policial integrada entre o Brasil e os outros 10 países da América do Sul com os quais faz fronteira. Essa nova estrutura permitiria o compartilhamento de informações de inteligência e a atuação de agentes entre os países. Ele ainda não discutiu a proposta com outros governos.
“Como presidente, eu vou fazer um périplo pelos países limítrofes com o Brasil. […] Eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar”, afirmou.
O candidato também defendeu que organizações criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), sejam classificadas como grupos terroristas. Além disso, Caiado se declarou contrário ao uso de câmeras corporais por policiais, argumentando que essas reduzem a liberdade de atuação dos agentes durante confrontos.
“Sem ela [a câmera], você dá liberdade para o policial ir ao confronto com o bandido. […] As pessoas têm que entender que nós estamos numa guerra hoje”, disse.
Redução de gastos e emendas
Caiado também defendeu a redução de gastos públicos e uma reforma administrativa, embora não tenha detalhado quais despesas pretende cortar. Ele citou medidas adotadas durante sua gestão em Goiás e afirmou que o ajuste fiscal não precisa comprometer programas sociais.
“O equilíbrio fiscal não briga de maneira alguma com as políticas sociais”, declarou.
Além disso, o candidato pretende limitar a destinação das emendas impositivas de deputados e senadores, priorizando recursos para projetos definidos pelo governo federal. “Eu não posso ter 594 planos de governo”, afirmou, acrescentando que direcionará 100% das obras de governo em seu plano de governo eleito pela população.
Caiado relacionou a proposta à defesa de uma pacificação política, afirmando: “Estamos num momento de pacificação do país. Vamos anistiar, pacificar, parar de briga, porque eu não estou aqui para desacatar ninguém. Eu estou aqui para governar e responder para as pessoas que esperam de um presidente da República”.
Fonte: poder360.com.br