A Bolsa da Indonésia passou por um colapso significativo, registrando a maior queda desde a crise financeira asiática de 1998. O índice Jakarta Composite (JCI) despencou quase 12% em um único dia, após a MSCI sinalizar que o país poderia ser removido de seus índices, reacendendo preocupações sobre a fuga de capital e a perda de atratividade para investidores.
O JCI, um dos piores desempenhos globais em 2026, acumula perdas de cerca de 40% no ano. A rupia indonésia, a moeda asiática com pior desempenho, também enfrentou dificuldades, atingindo 18.070 por dólar, antes de se estabilizar perto de 18.000.
Alerta da MSCI e suas consequências
Na quinta-feira, a MSCI anunciou uma consulta sobre a possível reclassificação da Indonésia de mercado emergente para a categoria “standalone”, o que excluiria suas ações dos principais índices globais. Essa mudança poderia isolar a Indonésia, colocando-a ao lado de países como Argentina e Líbano, e tornando-a a única nações da Ásia-Pacífico nessa categoria.
Reações do mercado e autoridades
As autoridades indonésias, sob pressão de provedores de índices e agências de classificação de risco, iniciaram uma série de reformas para abordar as preocupações do mercado. A MSCI, no entanto, indicou que não viu progresso suficiente, citando disfunções de mercado e falta de fiscalização efetiva.
A Autoridade de Serviços Financeiros da Indonésia declarou que está analisando cuidadosamente as avaliações da MSCI e que continuará o diálogo com investidores para apresentar as reformas em andamento.
Preocupações fiscais e monetárias
Além disso, agências de risco expressaram preocupações sobre a situação fiscal da Indonésia, citando programas governamentais que podem pressionar as contas públicas. A Moody’s e a Fitch já reduziram suas perspectivas para a nota soberana do país.
O Bank Indonesia enfrenta o desafio de equilibrar o suporte ao crescimento econômico com a necessidade de estabilizar a rupia, em um contexto de riscos fiscais e saída de capital.
Expectativas futuras
Analistas do Citi alertaram que a classificação como “standalone” seria pior do que um rebaixamento para mercado de fronteira, pois não haveria compensação pela saída de capital. A MSCI receberá contribuições até abril e anunciará sua decisão final até junho de 2027.
Embora o sentimento permaneça cauteloso, alguns analistas acreditam que, com a implementação efetiva de reformas, pode haver oportunidades de compra nos níveis atuais de preço.
Fonte: infomoney.com.br