A Abespetro, entidade que representa os fornecedores da indústria de óleo e gás, estima que o país precisará de investimentos de pelo menos US$ 30,6 bilhões anualmente para alcançar esse objetivo. No entanto, existem desafios significativos a serem enfrentados.
Entre 2018 e 2024, o Brasil não realizou nenhuma perfuração em áreas consideradas novas fronteiras, ao contrário de países como Noruega, Guiana e Suriname, que perfuraram 32, 62 e 28 poços, respectivamente. Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, enfatiza a urgência de avançar na exploração para garantir a viabilidade comercial das reservas.
— O processo entre a perfuração e o início da produção leva pelo menos dez anos. Se continuarmos a enfrentar atrasos nas autorizações, a situação poderá se tornar crítica. O tempo que levamos para obter a licença ambiental para o primeiro bloco na Bacia da Foz do Amazonas é um exemplo disso — declarou Ghiorzi.
Considerando as reservas atuais e uma produção de 5 milhões de barris por dia, as reservas brasileiras garantiriam a produção até aproximadamente 2035. Contudo, se as reservas adicionais forem convertidas em provadas, esse prazo poderá se estender até 2042.
Ghiorzi também ressaltou a importância de aumentar a recuperação das reservas dos campos já em produção, defendendo um maior investimento de empresas privadas no Brasil. Ele citou a necessidade de a Petrobras abrir espaço para que empresas independentes possam contribuir para a produção.
Além disso, Ghiorzi criticou a atual tributação sobre a exportação de petróleo e pediu ajustes na política de conteúdo local, mencionando que dois projetos de lei em tramitação no Congresso podem aliviar as penalidades para o descumprimento das metas de conteúdo local, incentivando mais investimentos.
Empregos no setor voltam ao patamar de 2010
A Abespetro também revelou que o Brasil encerrou o ano passado com 700 mil empregos diretos e indiretos no setor, número que retoma os níveis de 2010, quando o setor atingiu um recorde histórico. Após esse período, o setor enfrentou um declínio devido à crise gerada pela Lava Jato e pela queda nos preços do petróleo.
Ghiorzi destacou que, apesar do aquecimento recente, é crucial manter os ciclos de leilões de novas áreas, já que o setor representa 11% do PIB. Ele também comentou sobre a influência da atual guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo, mas ponderou que a volatilidade do mercado deve ser considerada nas decisões de investimento.
— As empresas aprenderam a ser cautelosas com as flutuações de preços. Ninguém toma decisões com base nos preços de hoje ou de amanhã — concluiu Ghiorzi.
Fonte: infomoney.com.br
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