O governo do Paraguai convocou, nesta quinta-feira (30), o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para expressar seu repúdio às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a guerra entre Brasil e Paraguai. O chanceler Rubén Ramírez Lezcano destacou que o país defenderá sua “dignidade” diante das afirmações do presidente brasileiro.
Em coletiva de imprensa, Ramírez Lezcano enfatizou que “a dignidade do Paraguai não é negociável” e que a questão foi abordada em alto nível desde o início. A convocação de um embaixador é um gesto diplomático que indica forte insatisfação, embora o chanceler tenha reafirmado que o Brasil continua sendo um aliado estratégico do Paraguai.
O mal-estar diplomático foi provocado por uma fala de Lula durante um discurso em Jacareí (SP), onde ele afirmou que “um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil”. Essa declaração, feita no contexto de uma defesa de investimentos em defesa e preparo das Forças Armadas, gerou reações imediatas.
A guerra, que ocorreu entre 1864 e 1870, foi um conflito devastador que envolveu a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) contra o Paraguai, resultando em profundas consequências para o país vizinho. O chanceler paraguaio comentou que Lula “desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito” e que suas palavras minimizam o sofrimento do povo paraguaio.
Além disso, a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma declaração oficial repudiando as falas de Lula, afirmando que elas distorcem a dimensão histórica da guerra, que causou uma grave crise demográfica e devastou a infraestrutura do país.
Apesar da tensão, Ramírez Lezcano mencionou que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre a situação, indicando a intenção de manter um diálogo diplomático.
Fonte: infomoney.com.br