redenção da saúde capixaba é debatida em cúpula com recorde de público

Com recorde de público, Rede Saúde Summit reúne lideranças

Ampliar serviços, incorporar inteligência artificial e aumentar a capacidade de atendimento são movimentos fundamentais, mas insuficientes para garantir bons resultados no setor da saúde. A expansão precisa vir acompanhada de processos eficientes, profissionais preparados e, acima de tudo, de uma experiência que faça o paciente se sentir acolhido e seguro.

Desafios do crescimento no Espírito Santo Essa foi uma das principais reflexões do 7º Rede Saúde Summit, realizado na quinta-feira (5), em Vitória. O encontro reuniu empresários, gestores, executivos, médicos e profissionais da cadeia produtiva da saúde para discutir o tema “Qualidade como Estratégia: Para além dos indicadores”. Sob a liderança da Dra. Alice Sarcinelli, o evento chegou à sua sétima edição abordando como avançar em um mercado em expansão sem comprometer a qualidade do atendimento.

O cenário capixaba apresentado por André Spalenza, coordenador de Estudos e Pesquisas do Connect Fecomércio-ES, ajuda a dimensionar esse desafio.

“O Espírito Santo reúne mais de 10 mil estabelecimentos de saúde e ultrapassou 63 mil empregos formais no setor. No primeiro semestre de 2026, as atividades de atenção à saúde humana registraram crescimento de 4% no emprego formal, quase o dobro da expansão observada no conjunto dos serviços, de 2%”.

Além disso, o avanço ocorre em paralelo a mudanças demográficas, com o aumento expressivo de moradores com 60 anos ou mais no estado, ampliando a demanda por modelos de atendimento diversificados.

Inovação e gestão sólida Na abertura da programação, Fátima Pinho, sócia-líder para o setor de Health Care na Deloitte Brasil, provocou os participantes sobre a importância de transformar novas ferramentas em valor real para a instituição e para o paciente, fortalecendo antes os fundamentos da gestão.

“Às vezes, o arroz com feijão bem feito vai te ajudar a caminhar com bases sólidas”, destacou Fátima.

A tecnologia, nessa perspectiva, deve reduzir tarefas repetitivas e a sobrecarga dos profissionais, liberando tempo para aquilo que exige escuta e contato humano.

A jornada e a segurança do paciente O painel executivo focado em crescer sem perder a excelência reuniu José Eduardo Roma Júnior, do Grupo Prever, e Wilson Zatt, da Lauduz, que debateram a percepção de qualidade a partir da ótica de quem recebe o serviço.

Mariana Cerone, executiva da Up Brasil e professora da ESPM, reforçou que as métricas tradicionais não traduzem sozinhas toda a vivência do usuário.

“O paciente não vive um indicador. Ele vive uma jornada”, afirmou Mariana.

Encerrando as palestras, Milainy Barbosa Ribeiro Batista, representante do Einstein Hospital Israelita, destacou a necessidade de construir uma cultura de prevenção, identificando riscos de forma antecipada para integrar segurança assistencial e experiência do cuidado.

Integração entre os profissionais A diversidade de participantes refletiu o propósito do evento. Vinicius Ximenes, CEO do Hospital de Olhos do Espírito Santo (HOES), ressaltou a troca proporcionada pelo encontro.

“É muito importante participar de um evento que reúne todos os players e grandes centros de saúde do Espírito Santo e até de fora do Estado, trazendo o que há de mais moderno e novo para que possamos acompanhar essas inovações e seguir com o desenvolvimento da saúde capixaba”, afirmou.

Bruno Tomazelli, diretor técnico do Hospital Vitória Apart, complementou sobre o papel da inovação: “A inteligência artificial veio para somar, mas não para substituir o humano no cuidado”.

Tatiane Chagas, CEO da Estímulos Desenvolvimento, também pontuou que a automação otimiza o tempo, mas frisou que “o face a face nunca vai deixar de existir”.

O evento evidenciou que, mais do que incorporar ferramentas ou ampliar estruturas, o grande desafio das organizações de saúde é construir bases sustentáveis baseadas na confiança.

Fonte: Folha Vitória

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